Foto: Rodrigo Felix Leal/AEN-PR
Foto: Rodrigo Felix Leal/AEN-PR

O Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Sul cresceu 4,5% no terceiro trimestre de 2025 em relação aos três meses imediatamente anteriores, na série com ajuste sazonal. O dado, divulgado nesta terça-feira (30/12) pelo Departamento de Economia e Estatística (DEE), vinculado à Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG), mostra uma recuperação acima da economia brasileira, que avançou 0,1% no mesmo período.

O resultado vem logo depois de um segundo trimestre negativo, quando o PIB gaúcho recuou 2,7%, impactado pela estiagem que derrubou a agropecuária – especialmente a soja, principal cultura do Estado. Segundo boletim de conjuntura do próprio DEE, a agropecuária chegou a cair mais de 20% na comparação trimestral naquele período.

Agro volta a crescer e puxa retomada

No recorte do terceiro trimestre, a agropecuária liderou a recuperação, com alta de 20,5% no Rio Grande do Sul, bem acima do crescimento de 0,4% observado no Brasil.

O salto recompõe parte das perdas causadas pela quebra de safra no meio do ano e reforça o peso do campo na economia gaúcha. A retomada é particularmente sentida em regiões de forte produção agrícola, como o Norte, Noroeste e parte da Serra, onde a renda da soja e de outras culturas irrigam o comércio e os serviços locais.

Indústria reage; serviços avançam pouco

A indústria também contribuiu para o desempenho positivo. O setor cresceu 2,3% no trimestre, superando o resultado nacional, de 0,8%. Dentro da indústria gaúcha, houve alta na indústria de transformação (1,5%), em eletricidade, gás, água, esgoto e limpeza urbana (10,2%) e na construção (0,4%), enquanto a indústria extrativa recuou 1,3%.

Na comparação com o terceiro trimestre de 2024, o setor industrial avançou 3,7%, com destaque para segmentos tradicionais da economia gaúcha, muitos deles concentrados na Serra: fabricação de produtos do fumo (45,3%), máquinas e equipamentos (13,1%), alimentos (8,7%), celulose e papel (12,9%) e bebidas (12,9%).

Já os serviços tiveram variação quase estável, de 0,1% no trimestre. Cresceram atividades imobiliárias (0,5%), outros serviços (0,4%) e administração, educação e saúde públicas (0,1%), enquanto outras áreas do setor recuaram. Na base anual, os serviços avançaram 0,7%.

RS volta a ficar acima da média nacional

Na comparação com o mesmo período de 2024, o PIB do Rio Grande do Sul cresceu 2,5% no terceiro trimestre de 2025, acima da alta de 1,8% registrada pela economia brasileira.

O resultado confirma um padrão recente: quando o campo ajuda, o Estado tende a crescer acima da média do país, mas também fica mais exposto a choques climáticos, como a estiagem que marcou o segundo trimestre e ainda aparece nas estatísticas acumuladas.

Acumulado do ano ainda pede cautela

De janeiro a setembro de 2025, o PIB gaúcho registra alta de 0,5% frente ao mesmo intervalo de 2024. Nesse período, indústria e serviços cresceram 2%, enquanto a agropecuária ainda acumula queda de 10,8%, diretamente ligada à seca que atingiu o Estado no segundo trimestre. No Brasil, o crescimento acumulado chega a 2,4%.

No acumulado de quatro trimestres encerrados em setembro, o Rio Grande do Sul apresenta avanço de 1,5%, com alta de 1,7% na indústria, 2,6% nos serviços e retração de 7,4% na agropecuária.

Os dados do quarto trimestre de 2025 ainda serão divulgados pelo DEE, responsável pelo cálculo oficial do PIB trimestral do Estado. Até lá, o quadro aponta uma economia em recuperação, mas ainda marcada pelos efeitos da estiagem no campo e por um ritmo de crescimento mais fraco que o observado no país como um todo.

Impactos para a Serra Gaúcha e desafios à frente

Para a Serra Gaúcha, o desempenho do terceiro trimestre é relevante especialmente pelo lado da indústria e dos serviços ligados à cadeia metalmecânica, de máquinas e equipamentos, alimentos, bebidas e logística, que aparecem entre os segmentos com melhor resultado na comparação anual.

A retomada do PIB, porém, não elimina os pontos de atenção. A dependência de safras sujeitas ao clima, a desaceleração do comércio em alguns ramos e a necessidade de manter investimentos em infraestrutura e competitividade seguem no radar. Os próximos números – especialmente o fechamento de 2025 – vão indicar se a reação observada agora se consolida como tendência ou se fica restrita a um fôlego pontual após o tombo da estiagem.