
A recente formalização do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, no início de 2026, gerou reações distintas em dois dos setores mais importantes do agronegócio brasileiro: o de café e o de vinhos. Enquanto os cafeicultores enxergam uma oportunidade histórica de expansão, os produtores de vinho manifestam profunda preocupação com a entrada de rótulos europeus no mercado nacional.
Otimismo no Setor Cafeeiro
Para o setor de café, o acordo é visto como uma vitória estratégica. Atualmente, o Brasil já é o maior produtor e exportador mundial de café em grão (verde), mas enfrentava barreiras tarifárias para o produto com valor agregado.
- Café Processado: Com a eliminação gradual das tarifas, o café torrado, moído e solúvel brasileiro terá livre acesso ao exigente mercado europeu.
- Competitividade: Entidades do setor acreditam que o fim das taxas permitirá ao Brasil competir diretamente com as indústrias de torrefação europeias, aumentando a rentabilidade do produtor e da indústria nacional.
Apreensão na Vitivinicultura
No sentido oposto, os produtores de vinho, concentrados principalmente na Serra Gaúcha, veem o acordo como uma ameaça à sustentabilidade do setor. A principal preocupação reside na disparidade de subsídios e custos de produção.
- Concorrência Desleal: Os vinicultores brasileiros argumentam que os vinhos europeus recebem subsídios governamentais massivos, o que permitiria que chegassem às prateleiras brasileiras com preços extremamente baixos, dificultando a sobrevivência das vinícolas locais.
- Pleitos do Setor: Representantes da categoria buscam junto ao Governo Federal a criação de um Fundo de Modernização da Vitivinicultura. O objetivo é garantir investimentos em tecnologia e infraestrutura para que o vinho nacional possa competir em pé de igualdade durante o período de transição (que deve durar entre 10 e 15 anos para a retirada total das alíquotas).
Próximos Passos
O governo brasileiro sinalizou que está em diálogo com as lideranças do vinho para criar mecanismos de compensação e programas de incentivo à exportação, tentando equilibrar os ganhos de um setor com os riscos do outro. A expectativa é que as primeiras reduções tarifárias comecem a ser sentidas ainda neste semestre, impactando diretamente o preço final ao consumidor.