
Os bombardeios dos Estados Unidos à Venezuela e a captura de Nicolás Maduro provocam uma reação em cadeia de líderes pelo mundo neste sábado (3). Presidentes da América Latina divulgaram notas oficiais e mensagens nas redes, com forte divisão entre condenação da ofensiva e apoio aberto à operação.
Lula fala em violação da soberania e cobra ONU
Em nota divulgada nas redes, Lula condena o ataque dos EUA à Venezuela e a captura de Maduro. Ele afirma que os bombardeios ultrapassam “uma linha inaceitável” e representam afronta à soberania do país vizinho, além de criar um precedente perigoso para as relações internacionais.
O presidente brasileiro também defende que a América Latina seja preservada como “zona de paz” e cobra uma resposta da Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo ele, atacar países em violação ao direito internacional abre caminho para um cenário de maior instabilidade.
Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional.
— Lula (@LulaOficial) January 3, 2026
Atacar países, em…
Boric, Petro, México e Uruguai condenam ofensiva
No Chile, o presidente Gabriel Boric condena as ações militares dos EUA e pede uma saída pacífica para a crise venezuelana. Em mensagem no X, ele afirma que a crise deve ser resolvida por meio do diálogo e do multilateralismo, sem violência nem ingerência estrangeira.
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, diz ver com “profunda preocupação” as explosões e o aumento da tensão na região. Em comunicado, o governo colombiano rejeita qualquer ação militar unilateral que coloque civis em risco e reforça o compromisso com a soberania e a integridade territorial dos Estados.
O governo do México também “condena e rejeita” a intervenção militar norte-americana, classificando-a como violação à Carta da ONU. O Ministério das Relações Exteriores do México ressalta que diálogo e negociação são os meios legítimos para resolver diferenças e se coloca à disposição para apoiar iniciativas de mediação.
No Uruguai, o Ministério das Relações Exteriores afirma que acompanha os acontecimentos com “séria preocupação”, rejeita a intervenção militar de um país no território de outro e destaca a necessidade de respeito ao direito internacional e à Carta da ONU, em especial à proibição do uso da força.
Cuba vai além e classifica a ofensiva como “ataque criminoso” dos EUA contra a Venezuela, pedindo reação urgente da comunidade internacional.
Milei e Noboa apoiam ação e celebram captura de Maduro
Na contramão da maioria dos governos latino-americanos, o presidente da Argentina, Javier Milei, manifesta apoio aberto à operação dos EUA. Em publicação no X, ele comemora a captura de Maduro com a frase “a liberdade avança”, mantendo o tom que já adotava contra o governo venezuelano.
O presidente do Equador, Daniel Noboa, também endossa a ação. Em mensagem nas redes, ele afirma que “chegou a hora” de a estrutura do “narco-chavismo” cair no continente e se coloca como aliado da oposição venezuelana em um eventual processo de transição política.
Europa, Reino Unido e outras potências pedem cautela.
Na Europa, a União Europeia afirma acompanhar de perto a situação e destaca que, embora já tenha questionado a legitimidade de Maduro, qualquer saída deve respeitar o direito internacional e a Carta da ONU. A UE pede moderação e defende uma transição pacífica e democrática.
O governo da Espanha reforça a mesma linha: apela à “desescalada” e à moderação, coloca-se à disposição para mediar uma solução negociada para a crise e insiste na necessidade de cumprimento das normas internacionais.
No Reino Unido, o primeiro-ministro Keir Starmer diz que quer “estabelecer os fatos” e afirma que o país não participou dos ataques, reforçando que o Reino Unido deve sempre defender o respeito ao direito internacional.
Rússia e Irã classificam os bombardeios como “ato de agressão” e “ataque armado” contra a Venezuela, alertando para o risco de escalada.
Já a Ucrânia declara apoio à ação, argumentando que regimes que violam direitos humanos e princípios democráticos não podem ficar sem resposta.
Desdobramentos institucionais
As posições oficiais divulgadas até agora mostram que o ataque dos Estados Unidos à Venezuela já repercute diretamente nas relações diplomáticas entre países da América Latina e grandes potências mundiais.