Foto: Leandro Neumann Ciuffo/Wikimedia Commons
Foto: Leandro Neumann Ciuffo/Wikimedia Commons

Os bombardeios dos Estados Unidos à Venezuela e a captura de Nicolás Maduro provocam uma reação em cadeia de líderes pelo mundo neste sábado (3). Presidentes da América Latina divulgaram notas oficiais e mensagens nas redes, com forte divisão entre condenação da ofensiva e apoio aberto à operação.

Lula fala em violação da soberania e cobra ONU

Em nota divulgada nas redes, Lula condena o ataque dos EUA à Venezuela e a captura de Maduro. Ele afirma que os bombardeios ultrapassam “uma linha inaceitável” e representam afronta à soberania do país vizinho, além de criar um precedente perigoso para as relações internacionais.

O presidente brasileiro também defende que a América Latina seja preservada como “zona de paz” e cobra uma resposta da Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo ele, atacar países em violação ao direito internacional abre caminho para um cenário de maior instabilidade.

Boric, Petro, México e Uruguai condenam ofensiva

No Chile, o presidente Gabriel Boric condena as ações militares dos EUA e pede uma saída pacífica para a crise venezuelana. Em mensagem no X, ele afirma que a crise deve ser resolvida por meio do diálogo e do multilateralismo, sem violência nem ingerência estrangeira.

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, diz ver com “profunda preocupação” as explosões e o aumento da tensão na região. Em comunicado, o governo colombiano rejeita qualquer ação militar unilateral que coloque civis em risco e reforça o compromisso com a soberania e a integridade territorial dos Estados.

O governo do México também “condena e rejeita” a intervenção militar norte-americana, classificando-a como violação à Carta da ONU. O Ministério das Relações Exteriores do México ressalta que diálogo e negociação são os meios legítimos para resolver diferenças e se coloca à disposição para apoiar iniciativas de mediação.

No Uruguai, o Ministério das Relações Exteriores afirma que acompanha os acontecimentos com “séria preocupação”, rejeita a intervenção militar de um país no território de outro e destaca a necessidade de respeito ao direito internacional e à Carta da ONU, em especial à proibição do uso da força.

Cuba vai além e classifica a ofensiva como “ataque criminoso” dos EUA contra a Venezuela, pedindo reação urgente da comunidade internacional.

Milei e Noboa apoiam ação e celebram captura de Maduro

Na contramão da maioria dos governos latino-americanos, o presidente da Argentina, Javier Milei, manifesta apoio aberto à operação dos EUA. Em publicação no X, ele comemora a captura de Maduro com a frase “a liberdade avança”, mantendo o tom que já adotava contra o governo venezuelano.

O presidente do Equador, Daniel Noboa, também endossa a ação. Em mensagem nas redes, ele afirma que “chegou a hora” de a estrutura do “narco-chavismo” cair no continente e se coloca como aliado da oposição venezuelana em um eventual processo de transição política.
Europa, Reino Unido e outras potências pedem cautela.

Na Europa, a União Europeia afirma acompanhar de perto a situação e destaca que, embora já tenha questionado a legitimidade de Maduro, qualquer saída deve respeitar o direito internacional e a Carta da ONU. A UE pede moderação e defende uma transição pacífica e democrática.

O governo da Espanha reforça a mesma linha: apela à “desescalada” e à moderação, coloca-se à disposição para mediar uma solução negociada para a crise e insiste na necessidade de cumprimento das normas internacionais.

No Reino Unido, o primeiro-ministro Keir Starmer diz que quer “estabelecer os fatos” e afirma que o país não participou dos ataques, reforçando que o Reino Unido deve sempre defender o respeito ao direito internacional.

Rússia e Irã classificam os bombardeios como “ato de agressão” e “ataque armado” contra a Venezuela, alertando para o risco de escalada.

Já a Ucrânia declara apoio à ação, argumentando que regimes que violam direitos humanos e princípios democráticos não podem ficar sem resposta.

Desdobramentos institucionais

As posições oficiais divulgadas até agora mostram que o ataque dos Estados Unidos à Venezuela já repercute diretamente nas relações diplomáticas entre países da América Latina e grandes potências mundiais.