Tempos ruins para o setor imobiliário?

Pesquisas recentes têm mostrado uma alta taxa de desistência nos contratos de imóveis novos, foram 28% de distratos somente nos…

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02:58 - 23/09/2014

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Pesquisas recentes têm mostrado uma alta taxa de desistência nos contratos de imóveis novos, foram 28% de distratos somente nos oito primeiros meses do ano em São Paulo. A maior parte das desistências tem relação com o reajuste nos valores dos imóveis financiados na planta que é feita pelo INCC (Índice Nacional de Custo da Construção). O índice acumulado em 2013 foi de 8,09%, já em 2014, até agosto, este índice já acumula alta de 5,97%.

 

Este reajuste tem feito o saldo dos apartamentos financiados subirem demais, e os proprietários tem retraídos por não terem capacidade de assumir a diferença entre o valor inicial e o valor reajustado dos imóveis.

 

De acordo com o perito e analista financeiro da Associação dos Mutuários de São Paulo e Adjacências – AMSPA, apesar da compra de um imóvel na planta representar uma economia de aproximadamente 30% do valor do imóvel, é preciso estar atento e programado para os reajustes.

 

Do outro lado, segundo levantamento do Banco JP Morgan, os estoques das principais construtoras do país têm inflado. A devolução de imóveis tem deixado as construtoras retraídas. Entre junho de 2013 e junho de 2014 o aumento de estoque das construtoras chegou a 16%, totalizando um valor de estoque de aproximadamente R$ 30 bilhões.

 

Dentre as 8 principais companhias com capital aberto, estão Cyrela, Rossi, PDG, Gafisa, MRV, Direcional, EzTec e Even. Estas empresas têm visto seus negócios andarem a passos lentos e para driblar a baixa na demanda, as empresas têm feito feirões de imóveis para vender, principalmente, as unidades a pronta entrega, visto que estas geram despesas de manutenção e condomínio, o que aumenta as despesas.

 

Nestes feirões é possível encontrar imóveis com descontos que chegam à casa de meio milhão de reais. Em um feirão realizado pela PDG, foram vendidas cerca de 1500 unidades de 5000 disponíveis. O número é significativo, mas não o suficiente para tirar o sinal de alerta do mercado.

 

Em Porto Alegre, no acumulado de janeiro a julho, houve uma redução de 33% nas vendas de imóveis novos. Os lançamentos de novos empreendimentos tiveram uma retração de 63%. Os dados são do Sindicato da Indústria da Construção Civil do RS, que aponta ainda, que os preços dos imóveis deverão estabilizar, mas não reduzirão seus valores. No mês de julho, foram vendidos apenas 156 unidades novas em Porto Alegre, conforme um histórico elaborado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção, Porto Alegre não tinha uma venda tão baixa desde fevereiro de 2009.

 

É importante ressaltar que está parada na venda dos imóveis pode ter relação com o receio do endividamento da classe média. Porém, isto não afeta apenas o setor imobiliários. O setor moveleiro, tão forte na nossa região, está diretamente ligado ao setor imobiliário, menos imóveis novos vendidos, representam menos imóveis a serem mobiliados e decorados.

 

Basta saber agora se será possível uma readequação do setor a nova realidade de demanda ou se uma bolha imobiliária está se formando.

 

Diogo Pasuch
 

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