Ideias simplistas/falsos ídolos

Vivemos tempos difíceis, disso não há dúvida. Isto porque enquanto a situação da economia não vai bem, o Brasil começa…

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11:40 - 27/11/2014

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Vivemos tempos difíceis, disso não há dúvida. Isto porque enquanto a situação da economia não vai bem, o Brasil começa a descobrir qual era o tamanho da sangria provocada numa das joias da coroa, a Petrobras. Ora, quando temos a noção dos bilhões que vinham sendo desviados para contas secretas na maior empresa brasileira, começamos a temer por todas as outras e pelo crime continuado que se faz neste país há décadas, tendo como principal vítima o povo. Este é convidado a pagar a conta às custas de uma infraestrutura deplorável, uma aposentadoria que é corroída ano após ano graças ao malévolo expediente do fator previdenciário, uma saúde que expõe enfermos além de sua doença à chaga da humilhação pelas precárias condições de atendimento.


Efetivamente já houve quem dissesse que o Brasil é um gigante e que sobrevive mesmo com uma hemorragia que nunca termina. Agora está se colocando uma pedrinha pra tentar deter o vazamento da barragem. Vamos conseguir? Quem sabe…


Mas não é só no Brasil. Vejam o que está acontecendo nos Estados Unidos: insubordinação, protesto, quebra-quebra, porque a população – parte dela – se inconformou com a decisão de um júri popular que resolveu soltar o policial que em agosto matou um jovem negro desarmado. Possivelmente havia elementos suficientes para colocar o policial em liberdade. Mas existe um raciocínio inverso que tem sido feito. E se o morto fosse branco e o policial negro? Qual teria sido a decisão do Júri?


Digo mais. Os tempos são tão perturbadores que os bodes expiatórios para odiarmos são inúmeros e está fácil demais criarmos falsos ídolos. Basta dizer o que o povo quer ouvir. É algo como acender uma fogueira com álcool: vai fazer fogo, mas pode não durar e se errar na dose pode gerar uma explosão com grande estragos.

 

O Brasil precisa por na cadeia os vendilhões do templo e não deveria precisar de controle social da mídia (uma metáfora pra censura, intervencionismo e enfim uma odiosa prática totalitária). Mas até as mentes mais pacíficas começam a perder o equilíbrio diante de todas as insanidades, ou o destilamento de tanto veneno que alguns novos ou velhos formadores de opinião estão externando.


A conclusão é que falar mal, citar um monte de impropérios juntar a isto os nomes de certos governantes ou partidos e depois moer tudo no liquidificador midiático, é uma receita de sucesso imediato. O formador de opinião junta em torno de suas ideias simplistas gente de bem que está inconformada, gente com preguiça pra pensar e analisar por mais de um ângulo.


Nunca gostei de extremistas porque eles só enxergam ¼ da laranja, ou da verdade, ignorando todo o restante que é tão ou mais importante para um julgamento correto. Tocar fogo em ônibus ou inflamar a massa é um prato cheio pra oportunistas sequiosos por aparecer e colocar pra fora seus próprios monstros.

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