A artimanha do patrulhamento ideológico

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17:44 - 10/01/2013

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Pois estamos hoje no décimo dia de janeiro. Isto significa que são dez dias da nova gestão dos prefeitos eleitos em outubro último. Coincidência ou não e inspirado na campanha do governo pela paz e pela paciência para que não se cometam crimes fúteis, abri contagem até dez para não ter com o assessor de imprensa do senhor Pasin, o meu ex-colega Carlos Quadros, a mesma postura que ele tinha com seu antecessor o assessor Ferrugem.


Vou pedir licença os ouvintes e usar deste espaço para explicar que, 1) sim, eu disse que um prefeito deixar dívida ao seu sucessor é normal e não necessariamente implica em improbidade administrativa. Trata-se da dívida fundada, aquela que se compõe de financiamentos de longo prazo para grandes projetos. Sem este tipo de endividamento seria impossível implantar grandes programas, construir rodovias ou viadutos. 2) eu não disse que deixar 51 milhões em dívidas é normal. O que eu disse é que a nova administração afirmou na entrevista coletiva da manhã de segunda-feira ou pelo menos nos deu a entender – confesso que podemos ter ouvido ou interpretado mal, é que de 51 milhões de reais seria a dívida vencida em 31 de dezembro, o que não é a inteira expressão da verdade, no que inclusive o senhor, já concorda. Nem me arrisco a dizer se é de 8, 36, 41. Prefiro esperar o diagnóstico concluído da força tarefa composta por funcionários concursados da municipalidade e aceitá-la como expressão fidedigna da verdade, o resto são defesas e acusações de cunho político partidário. Não desejo absolver criminosos, nem jogar alguém à fogueira da santa inquisição por força da opinião pública.


E é aqui que desejo explicar ao ouvinte que a missão do jornalista não deve ser a de pré julgar nem a de se submeter a pressões. Gostaria de sugerir ao ex-colega Carlos Quadros que neste início de nova jornada ponha-se a uma distância segura entre seu empregador e os órgãos de comunicação e que faça uma mediação objetiva entre o que o Governo gostaria que fosse divulgado e aquilo que a imprensa entenda ser de valor para a população. A nós não cabe relatar o que quer um governo ou outro, nem ao assessor de imprensa tentar impor esta vontade.


No caso ora em tela, nem autoridades e contadores têm unanimidade sobre onde está a verdade verdadeira, então não creio que não seremos nós jornalistas, a partir de opinião ou palpite ou ainda aos gritos, que vamos traduzir esta verdade. Ela precisará ser explicada de forma didática, após se chegar a um consenso. Mas infelizmente, pela conotação política partidária que se está dando ao fato, pode ser que jamais se chegue a este consenso. Não sei se isto é bom para alguém.


O julgamento de Roberto Lunelli nas urnas já aconteceu e busca-se elementos e provas na esfera judicial e criminal para responsabilizar o ex-prefeito pelos pecados que tenha cometido – me parece que o principal realmente será o da improbidade administrativa.


Só tenho uma certeza: não me deixarei levar pelo patrulhamento ideológico. Aliás, esta artimanha bem que era tentada pelo PT antes de chegar a ser governo. E já não nos dobrávamos lá.

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