
A Polícia Civil de Nova Prata alertou para a atuação de um suposto esquema de pirâmide financeira que atingiu moradores da cidade e da região. Em entrevista à Rádio Ativa, a delegada Liliane Pasternak Kramm e o escrivão Bruno Vieira disseram que o modelo se baseava na entrada contínua de novos participantes e em promessas de retorno incompatíveis com o mercado.
A investigação começou após o monitoramento de um empreendimento na Rua Luiz Marafon, no bairro Vila Lenzi. Segundo a polícia, o grupo buscava ampliar a rede de membros com discursos de “ganhos fáceis” e incentivos por indicações, prática típica desse tipo de fraude.
O caso ganhou repercussão com relatos de filas no local e de pessoas que pediram demissão ou contraíram empréstimos para investir. Em uma situação, a Polícia Civil interrompeu uma transmissão ao vivo usada para dar aparência de legalidade à atividade.
Um dos integrantes afirmou que cerca de 5 mil pessoas estariam envolvidas apenas em Nova Prata. Para entrar, o interessado escolhia um valor, pagava o plano e passava a usar uma plataforma com tarefas, sorteios e promessas de retorno rápido, que aumentaria conforme novas indicações. A empresa dizia ter sede em Londres.
Na sexta-feira, dia 30, após um período de pagamentos, a plataforma travou e muitos usuários não conseguiram transferir valores. Apesar dos alertas, parte dos apoiadores seguiu promovendo o negócio. Nesta semana, o sistema colapsou. Na quarta-feira, dia 4, a plataforma voltou a pedir novos depósitos para “liberar” o acesso.
Colapso do Esquema e Reação das Autoridades
Com o colapso, o escritório em Nova Prata fechou e os responsáveis deixaram de se manifestar. Houve protestos em frente ao local, e a Brigada Militar atuou para garantir a segurança.
A delegada Liliane Pasternak Kramm alerta para um novo golpe: vítimas estão sendo pressionadas a depositar mais dinheiro sob a promessa de recuperar valores.
“Não façam novos aportes. O sistema faliu e a chance de recuperar o dinheiro é pequena”, disse.
A polícia destaca que muitos investidores nem sabem para quem transferiram os recursos.
A corporação também reforça que tumultos e postagens em redes sociais não têm valor jurídico e podem gerar responsabilização. A divulgação e a captação de pessoas para esse tipo de esquema configuram crime previsto na Lei de Economia Popular.
Orientações para Vítimas do Esquema
A orientação é para que as vítimas mantenham a calma e registrem ocorrência na delegacia. Depoimentos e comprovantes de transações são essenciais para embasar pedidos judiciais, como quebras de sigilo e prisões, e para avançar na investigação.