Greve nas montadoras dos Estados Unidos já afeta a empresas gaúchas, as quais vão reduzir produção de aço

A paralisação dos trabalhadores deve reduzir a demanda por aço de fabricantes de autopeças.

Publicado por
23:44 - 28/09/2023

Compartilhar:

Facebook Twitter Whatsapp
Flamengo-rescinde-contrato-com-Jorge-Sampaoli-00-28-09-23

A siderúrgica brasileira Gerdau reduzirá a produção de aços especiais nos Estados Unidos no próximo mês. A decisão se deve à greve em fábricas de três grandes montadoras nos EUA. A paralisação dos trabalhadores deve reduzir a demanda por aço de fabricantes de autopeças.

A determinação deve afetar os resultados financeiros da Gerdau na América do Norte, com a extensão das perdas dependendo da duração da greve, disse o CEO da siderúrgica, Gustavo Werneck, durante um evento nesta quarta-feira em São Paulo.

O sindicato United Auto Workers (UAW) planeja expandir a greve contra as montadoras tradicionais de Detroit ( Ford, GM e Stellantis), conhecidas como as “Três Gigantes de Detroit”, nesta sexta-feira (29) se não houver grandes progressos nas negociações.

O UAW iniciou uma greve simultânea histórica nas fábricas operadas pela General Motors, Stellantis e Ford Motor no dia 15 deste mês e, uma semana depois, expandiu o movimento para mais 38 fábricas da GM e da Stellantis. O principal executivo da Gerdau disse que uma greve mais duradoura teria inevitavelmente um efeito dominó sobre a demanda pelo aço especial necessário para a produção de autopeças, afetando as operações da empresa.

A companhia com sede em São Paulo está investindo 280 milhões de dólares para aumentar a capacidade de produção anual em suas instalações nos EUA, principalmente no estado do Texas, para 2,2 milhões de toneladas, um acréscimo de cerca de 47%. A divisão americana é responsável por cerca de metade do lucro consolidado da Gerdau.

Werneck vê um no entanto o mercado americano equilibrado para produtos de aços longos, como vergalhões, carris e fio-máquina, com a Lei de Redução da Inflação e o regresso de projetos da Ásia aos Estados Unidos provavelmente elevando a demanda nos próximos cinco anos.

O CEO também salientou que está pessimista em relação à recuperação econômica da China, uma vez que o consumo de aço no mercado imobiliário chinês não se recuperará no curto prazo, o que significa que o país terá uma grande quantidade do metal para exportar e inundar os mercados globais.

“O Brasil será um dos mercados mais afetados se o governo brasileiro não tomar medidas urgentes nos próximos 30 dias, incluindo o atendimento à solicitação do setor siderúrgico de aumentar os impostos de importação para 25%”, disse Werneck.

“Estamos na iminência de tomar decisões muito difíceis no setor, iniciando o processo de demissões em massa. Com a Gerdau não será diferente”, finalizou o CEO da siderúrgica.

Compartilhe nas suas redes

Facebook Twitter Whatsapp