Trabalhadores e estudantes de Caxias do Sul, nos últimos dias, vêm enfrentando dificuldades ao utilizar o transporte público da cidade. A demora entre ônibus nas paradas, especialmente nos horários de pico, gera insegurança entre os usuários e superlotação nos veículos. Apesar de as superlotações terem diminuído durante a pandemia, devido às restrições de aglomeração e a redução da procura pelo serviço de transporte público, a situação volta a preocupar com o retorno da normalidade.
É o caso de Valdir Boito, administrador, que relata a frequente superlotação no transporte coletivo caxiense, especialmente na linha Troncal, que atravessa o centro da cidade entre as estações principais de integração (EPIs) Floresta e Integração. Valdir Boito conta que, em horários de pico, chega a esperar 20 minutos por um ônibus da linha. Ele relata ainda que o local de embarque apresenta um alto número de pessoas que, assim como ele, aguardam o transporte.

Segundo ele, a situação se repetiu pelo menos três vezes nas últimas duas semanas. Ao embarcar, Valdir relata que encontra um grande número de passageiros, situação que piora, conforme o veículo vai passando pelas paradas, ao longo da linha.
“Não tem como se mexer, nem liberar espaço na frente ou nas portas para ajudar quem queria descer. Os passageiros que aguardam na parada acabam entrando no primeiro ônibus que aparece, para não atrasar a chegada até em casa ou no serviço”, conta.
Valdir não é o único a relatar a superlotação no transporte público. De acordo com o presidente da Associação dos Usuários do Transporte de Passageiros e Transporte Escolar de Caxias do Sul (ASSUTRAN), Cassiano Fontana, de 2024 para 2025, a entidade já recebeu, em geral, cerca de 500 reclamações sobre o tema. A associação pede que a Viação Santa Tereza (Visate), concessionária responsável pelo serviço, divulgue as planilhas de horários para que seja possível entender a real situação das linhas e locais onde o problema existe.
“Entendemos que a empresa que presta o serviço está deixando a desejar e é necessário que todas as informações referente as planilhas de horários sejam realmente informadas. É inadmissível o poder público, que gerencia o transporte coletivo, não observar essas demandas com antecedência já, que diariamente obtém as informações de circulação dos ônibus, bem como o número de usuários que utilizam o serviço”, afirma Cassiano.
O que diz a prefeitura?
De acordo com a Secretaria Municipal de Trânsito, Transporte e Mobilidade (SMTTM), a linha Troncal apresenta uma variação média de um ônibus a cada 10 a 12 minutos. A frequência pode variar para 5 a 13 minutos em horários de pico. Além disso, a secretaria informa que a linha Troncal apresenta uma fator de renovação de 1,8%. Ou seja, o número de passageiros ao longo do trajeto, entre uma EPI e outra, praticamente, se renova. De cada 10 pessoas que embarcam em uma EPI, 8 pessoas vão descer no centro, em diferentes paradas, configurando uma renovação da frota.
Segundo a SMTTM, é “muito difícil” ocorrer uma superlotação, e afirma que existe um fator cultural frequente, no qual os usuários não costumam cruzar o ônibus além da “sanfona” no meio do veículo, preferindo sentar ou ficar em pé no carro da frente, causando uma impressão de superlotação.
A SMTTM esclarece que a capacidade de um ônibus se refere ao número de pessoas que cabem em um veículo, tanto sentadas como em pé, um ao lado do outro, o que, segundo o órgão público, também cria a aparência de superlotação.
Apesar disso, usuários como Valdir seguem insatisfeitos com as atuais condições de uso do transporte público caxiense:
“O que era para ser um serviço de qualidade, rápido, uma linha que integra os bairros da região leste/oeste, acaba se tornando um serviço cada vez mais inapropriado. As pessoas vão cada vez mais desacreditando no serviço de ônibus. Demora, além de ser desconfortável ficar aglomerado. O serviço deveria melhorar, ainda mais nos horários de pico, para quem vai e volta do trabalho”, conclui.