A medida ocorre devido à migração do regime de concessão para o de autorização. (Foto: Reprodução)
A medida ocorre devido à migração do regime de concessão para o de autorização. (Foto: Reprodução)

O ano de 2026 marca o capítulo final na história de um dos maiores ícones do mobiliário urbano brasileiro: o orelhão. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) deu sinal verde para que as concessionárias de telefonia fixa iniciem a retirada em massa dos aparelhos nas grandes cidades e capitais do país.

Por que os orelhões estão saindo?

A medida ocorre devido à migração do regime de concessão para o de autorização. Com a mudança na legislação, as empresas (como Oi, Vivo e Claro) não têm mais a obrigação legal de universalizar o serviço por meio de telefones públicos em áreas onde já existe ampla cobertura de telefonia móvel.

  • Baixa Utilização: Dados mostram que a grande maioria dos aparelhos registra menos de uma chamada por dia.
  • Custos Elevados: A manutenção de terminais frequentemente alvo de vandalismo e a dificuldade de encontrar peças de reposição tornaram a operação deficitária.
  • Tecnologia: A onipresença do celular e da internet móvel tornou os terminais públicos ferramentas de uso residual ou emergencial.

A Operação de Retirada

Estima-se que cerca de 30 mil aparelhos e suas respectivas cúpulas de fibra de vidro (as “carcaças”) comecem a ser removidos já neste mês de janeiro. A prioridade são os terminais instalados em calçadas de grandes avenidas e centros comerciais, que hoje muitas vezes servem apenas como anteparo para publicidade irregular ou obstrução de passagem.

O Legado de Chu Ming Silveira

Lançados oficialmente em 1972, os orelhões foram um marco da arquitetura e design brasileiro, criados pela arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira. O design curvo foi projetado para oferecer isolamento acústico e proteção contra a chuva sem a necessidade de cabines fechadas e abafadas.

Apesar da retirada urbana, o serviço de telefonia pública ainda poderá ser mantido de forma pontual em locais remotos, como áreas rurais, aldeias indígenas ou regiões de difícil acesso, onde o sinal de celular ainda não é estável o suficiente para garantir a comunicação básica da população.