Foto: Yago de Boni/Grupo RSCOM
Foto: Yago de Boni/Grupo RSCOM

Os vestidos criados por Rico Bracco para a corte da Festa Nacional da Uva, a rainha Elisa Pereira D’Mutti e as princesas Júlia Scopel e Letícia Comin da Silva, foram apresentados neste domingo (30). Os conjuntos revelam um projeto pensado para aproximar memória e contemporaneidade. Inspirado no interior da Serra, nos parreirais, nos caminhos tropeiros e no trabalho do campo, o estilista buscou traduzir no conjunto a ideia de percurso, um conceito que, segundo ele, sempre guiou suas criações.

“Para mim, o percurso é o papel mais importante. Então, desse caminho, dessas estradas guardadas pelos muros de taipas, pelas parreiras, protegidas pelas rosas, eu quis representar o cotidiano de quem fazia parte desse trabalho braçal, que são os tropeiros”, explica Bracco.

Ele destaca ainda que a parceria com a empresa Piteira permitiu aprofundar a pesquisa na história tropeira.

Arquitetura modular e equilíbrio entre as três representantes

Os trajes foram desenvolvidos em arquitetura modular, permitindo que passeio e gala sejam compostos a partir das mesmas partes: camisa de seda, camisa de linho, corset, gola, mangas plissadas, saia curta e saia interna removível. A escolha da modularidade buscou atender tanto ao conceito quanto ao uso prático.

“O mais sensacional é que vestidos inteiros demandam muita energia para lavagem e se deterioram mais fácil. As peças individuais permitem manutenção ao longo desses quatro meses em que elas vão usar o traje”, comenta o estilista.

Bracco também ressalta o equilíbrio necessário para criar um conjunto para três mulheres que representam a Festa em igualdade.

“É um conjunto, são três vestidos, mas com a necessidade de diferenciar rainha e princesas sem diminuir nenhuma. Trabalhamos com parcimônia nos volumes, nas modelagens e nas cores para garantir harmonia. Verde, púrpura, pontos de rosa, crochês — tudo foi equilibrado para que não houvesse distinção excessiva entre si.”

História, funcionalidade e emoção nas falas do trio

A leitura estética também se apoia em símbolos históricos. A sobreposição rosada remete às rosas que protegem os parreirais. Bordados de folhas e cachos de uva reforçam a conexão com a cultura regional. O complemento da saia em crochê de viscose e a fivela em alpaca com banho de ouro reforçam o elo com o imaginário tropeiro.

Para a rainha Elisa D’Mutti, vestir o traje é vestir também a trajetória da cidade.

“Para mim, o traje está perfeito. O Rico trouxe toda a tradição da nossa festa, a história da nossa cidade, dos nossos tropeiros, e trouxe um pouco de modernidade. É um traje muito lindo; nós estamos encantadas e muito felizes em mostrar para a nossa comunidade.”

A princesa Júlia Scopel destaca a profundidade histórica embutida na criação.

“Esse traje traz muita da nossa cultura. Ele foi fundamentado com a historiadora Véra Zattera. O Rico conseguiu trazer elementos muito importantes pra nossa história, desde a fivela do cinto até os bordados de uva. Nosso traje carrega muita história, e isso é o que mais me encanta.”

Já a princesa Letícia Comin da Silva reforça o caráter prático da proposta.

“A funcionalidade do traje é incrível. Em breve será apresentado para a comunidade todas as formas de composição. Ele está muito lindo; estamos apaixonadas e muito ansiosas para que toda a comunidade veja e esteja junto com a gente.”

A coroa oficial de 2026, criada por Carlos Bacchi, acompanha a proposta contemporânea dos vestidos, com design minimalista em metal com banho de ouro.

A 35ª Festa Nacional da Uva ocorre entre 19 de fevereiro e 8 de março de 2026, no Parque de Eventos Mário Bernardino Ramos, em Caxias do Sul.