Mercado de trabalho no Rio Grande do Sul apresenta estabilidade no primeiro trimestre de 2024

Pesquisadores projetam que os impactos socioeconômicos das enchentes causem retração nos resultados dos trimestres seguintes

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11:09 - 20/06/2024

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Mercado de trabalho no Rio Grande do Sul apresenta estabilidade no primeiro trimestre de 2024

Foto: Ilustrativa/Agência Brasília

No primeiro trimestre de 2024, o nível de ocupação no Rio Grande do Sul manteve-se estável em 62,2% em comparação com o trimestre anterior. Este percentual refere-se à proporção de pessoas ocupadas em relação às pessoas em idade de trabalhar. No mesmo período, a taxa de desocupação estadual aumentou de 5,2% para 5,8%, uma variação comum devido a fatores sazonais que geralmente elevam o indicador no início do ano.

Comparativamente, no mesmo trimestre do ano anterior, a taxa de desocupação permaneceu estável no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, enquanto registrou uma queda em São Paulo e no Brasil como um todo.

Crescimento do Emprego Formal

Nos últimos 12 meses, encerrados em abril de 2024, o número de trabalhadores formalmente empregados no Rio Grande do Sul cresceu 2,2%, com um saldo de 60,6 mil novos vínculos, elevando o total para 2.840.145. No Brasil, o crescimento foi mais expressivo, alcançando 3,8%.

A desocupação de longo prazo (período de procura por trabalho igual ou superior a um ano) também registrou uma diminuição significativa, passando de 28,1% para 24,6% no estado, comparando o primeiro trimestre de 2024 com o mesmo período do ano anterior.

Esses dados são parte do Boletim de Trabalho divulgado nesta quinta-feira (20/6) pelo Departamento de Economia e Estatística (DEE), vinculado à Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG). A publicação trimestral, elaborada pelos pesquisadores Raul Bastos e Guilherme Xavier Sobrinho, utiliza informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do IBGE e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Força de Trabalho

No primeiro trimestre de 2024, a taxa de participação da força de trabalho no Rio Grande do Sul permaneceu estável em 66%, similar ao observado em SC (68,1%) e PR (65,5%). Em SP e no Brasil, houve uma leve redução, de 67,1% para 66,3% e de 62,2% para 61,9%, respectivamente.

A ocupação informal no Rio Grande do Sul também se manteve estável, com 1,87 milhão de pessoas, enquanto no Brasil houve uma redução de 1,5%.

Desempenho dos Setores Econômicos

O setor de serviços foi o principal responsável pelo aumento dos vínculos formais, contribuindo com 46,6 mil dos 60,6 mil novos empregos, representando 77% do total. O comércio adicionou 13,2 mil empregos (21,9% do saldo), enquanto a indústria teve uma redução de 2,8 mil postos (-0,4%).

Os setores de agropecuária e construção, que possuem menor participação no emprego formal do estado, apresentaram crescimento de 2% e 1%, respectivamente.

Análise Regional e Salários

Todas as nove Regiões Funcionais (RF) do Estado registraram variações positivas no emprego formal entre abril de 2023 e abril de 2024. A RF 7 (Noroeste do Rio Grande do Sul) teve a menor expansão (0,6%), enquanto a RF 9 (Passo Fundo e Erechim) registrou o maior crescimento (4%).

Em abril de 2024, o salário médio dos trabalhadores no mercado formal do Rio Grande do Sul foi de R$ 2.006,10, abaixo da média nacional de R$ 2.115,65. Comparado ao mesmo mês de 2023, houve um aumento de 3,8% no salário médio estadual.

Perspectivas para o Segundo Trimestre

Os impactos socioeconômicos das enchentes no Rio Grande do Sul, ocorridas no final de abril e durante maio de 2024, devem afetar o mercado de trabalho no segundo trimestre. Pesquisadores projetam uma retração na taxa de participação da força de trabalho e uma queda acentuada no nível de ocupação, com possível prolongamento nos dois trimestres seguintes. A taxa de desocupação estadual também deve aumentar, embora não se preveja uma queda significativa na taxa de informalidade.

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