Foto: Freepik
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Com a volta às aulas de 2026, famílias da Serra Gaúcha encaram de novo um velho desafio: a lista de materiais escolares. Os preços mudam a cada ano, mas uma coisa não muda: quem não pesquisa, paga bem mais caro do que precisa.

Pesquisas feitas pelo Procon RS em 2024 e 2025 mostraram uma realidade que serve de alerta também para este ano: em uma lista básica com 23 itens, o total podia ir de cerca de R$ 32 a mais de R$ 1.025, com diferença superior a 3.000% entre a opção mais barata e a mais cara.

Em Caxias do Sul, levantamento do Procon em 2025 encontrou diferença de até 800% para o mesmo produto e variação de 2.998% entre marcas diferentes de um item simples, como a borracha.

Os valores exatos de 2026 ainda vão mudar conforme cada loja, mas o recado dos órgãos de defesa do consumidor é claro: as variações continuam grandes, então o cuidado precisa ser ainda maior.

O que essas pesquisas ensinam para 2026?

Mesmo que os números sejam de 2024 e 2025, eles mostram um cenário que se repete todo ano no Rio Grande do Sul:

  • o mesmo produto pode custar pouquíssimo em uma loja e muito mais em outra;
  • marca famosa ou com personagem quase sempre dispara de preço;
  • comprar tudo no primeiro lugar por pressa é quase garantia de prejuízo.

Planejamento começa em casa

Antes de sair às compras, especialistas em defesa do consumidor e Procons municipais sugerem um roteiro simples que vale para Caxias, Bento, Farroupilha, Garibaldi, Flores e demais cidades da região:

Revise o que sobrou do ano passado

  • abra mochila, estojo e gavetas;
  • separe lápis, canetas, régua, tesoura, estojo, mochila, pastas e até cadernos com folhas em branco;
  • marque o que realmente precisa ser comprado de novo

Converse com a escola

  • confirme se todos os itens da lista serão usados logo no começo do ano;
  • questione materiais diferentes ou em quantidade muito alta;
  • pergunte se é possível entregar parte da lista depois, conforme a necessidade.

Combine compras coletivas

  • junte-se a outros pais da mesma turma;
  • divida pacotes grandes (massa de modelar, papéis, tintas) para reduzir o custo por unidade.

Esse passo a passo, repetido por Procon RS e Procon de Bento Gonçalves, é válido para qualquer município da Serra.

Pesquisa de preços: como fazer na prática

Depois da triagem em casa, vem a etapa mais importante de 2026: pesquisar muito.

Os Procons gaúchos reforçam que o consumidor não deve comprar tudo em um só lugar sem comparar. A orientação é visitar mais de uma papelaria ou utilizar ferramentas oficiais para encontrar os menores valores.

Fique de olho na lista: nem tudo que a escola pede é obrigatório

Além de planejar e pesquisar, pais e responsáveis precisam olhar com atenção o que a escola está pedindo.

A Lei Federal 12.886/2013 e orientações de órgãos de defesa do consumidor deixam claro que:

  • materiais de uso coletivo – papel higiênico, produtos de limpeza, copos descartáveis, giz, caneta para quadro, toner, entre outros – não podem entrar na lista;
  • esses itens devem ser pagos pela escola, embutidos na mensalidade ou no orçamento público;
  • a escola não pode obrigar marca específica nem impor a loja onde o material deve ser comprado, com exceção de apostilas próprias e alguns livros;

Se a lista parecer exagerada ou tiver muitos materiais de limpeza, escritório ou descarte coletivo, a primeira medida é conversar com a direção. Se não houver correção, o Procon municipal ou o Procon RS podem ser acionados para orientar e registrar reclamação.

Em 2026, a palavra de ordem é: não comprar no escuro

As pesquisas de 2024 e 2025 deixaram uma lição para 2026 na Serra Gaúcha:

  • preços de material escolar variam muito;
  • diferença entre marcas e lojas pode chegar a centenas ou milhares por cento;
  • quem reaproveita, planeja e pesquisa gasta bem menos para encher a mochila dos filhos.

Com início de ano carregado de despesas, a lista de material escolar deixa de ser só um “ritual” da volta às aulas e vira um teste de organização financeira. Informação, calma e comparação são os melhores aliados para que as crianças voltem para a sala de aula e o orçamento da família continue de pé.