Consumidor brasileiro está mais cauteloso devido a fatores estruturais e mudanças nos hábitos de gasto. (Foto: Reprodução)
Consumidor brasileiro está mais cauteloso devido a fatores estruturais e mudanças nos hábitos de gasto. (Foto: Reprodução)

Tradicionalmente o melhor período para o varejo, o mês de dezembro de 2025 frustrou as expectativas do setor de alimentos. De acordo com levantamento da plataforma Scanntech, as vendas em unidades caíram 5,5% na comparação com o mesmo período de 2024, abrangendo desde mercadinhos até atacarejos. Esta foi a única queda de receita registrada em todo o ano de 2025, contrastando com o padrão de crescimento observado nos últimos três anos.

O recuo ocorreu mesmo com a trégua da inflação de alimentos no segundo semestre, que ajudou a manter o índice geral abaixo da meta de 4,5%. Especialistas apontam que, apesar da melhora nos preços, o consumidor brasileiro está mais cauteloso devido a fatores estruturais e mudanças nos hábitos de gasto.

Por que o consumo caiu?

Analistas de mercado e economistas listam os principais motivos para a retração:

  • Endividamento e “Bets”: O avanço das apostas online, que movimentam bilhões por mês, tem impactado o orçamento das famílias e aumentado o endividamento.
  • Gastos com Serviços: O brasileiro tem gastado mais com serviços (quase 49% do orçamento) em detrimento da compra de bens.
  • Juros e Confiança: As taxas de juros elevadas e a percepção de que o dinheiro “não rende” inibem compras de maior volume.
  • Contas de Início de Ano: Gastos sazonais como IPVA, IPTU e materiais escolares aumentam o receio de gastar em janeiro.

Promoções para “virar o jogo”

Com estoques acumulados após um dezembro fraco e uma primeira quinzena de janeiro difícil, muitas redes de supermercados estão lançando promoções agressivas para fazer caixa. Algumas redes já programaram queimas de estoque com descontos que chegam a 50% em itens essenciais como carne, café, ovos e cerveja.

O setor supermercadista agora corre contra o tempo para bater as metas de janeiro, buscando atrair o consumidor que, no momento, prioriza apenas os itens de extrema necessidade e a busca pelo menor preço.