Foto: José Cruz/Agência Brasil
Foto: José Cruz/Agência Brasil

A Dívida Pública Federal (DPF) fechou 2025 em R$ 8,635 trilhões, um aumento de 18% em relação ao ano anterior, que registrou R$ 7,316 trilhões. Os dados foram divulgados na quarta-feira (28) pelo Tesouro Nacional. A maior parte da alta se deve ao reconhecimento de R$ 879,9 bilhões em juros, somado a uma emissão líquida de R$ 439,06 bilhões em novos títulos.

Apesar do crescimento, o estoque da dívida permanece dentro da meta revisada do Plano Anual de Financiamento (PAF), que previa um intervalo entre R$ 8,5 trilhões e R$ 8,8 trilhões para o fim de 2025. Em dezembro, a DPF subiu 1,82%.

Dívida interna e externa

A Dívida Pública Mobiliária interna (DPMFi) avançou 19,26% no ano, atingindo R$ 8,309 trilhões. Em dezembro, a alta foi de 1,76%, com emissões líquidas de R$ 60,82 bilhões em títulos e apropriação de R$ 82,82 bilhões em juros, pressionada pela Selic em 15% ao ano.

Por outro lado, a Dívida Pública Federal externa (DPFe) recuou 6,62% em 2025, para R$ 326,07 bilhões, beneficiada pela desvalorização do dólar ao longo do ano. Em dezembro, porém, subiu 3,53%, reflexo da alta de 3,16% da moeda americana e de remessas de divisas antecipadas à reforma do Imposto de Renda.

Colchão e composição

A reserva financeira usada em momentos de turbulência ou de forte concentração de vencimentos, conhecida como colchão da dívida pública, caiu de R$ 1,213 trilhão em novembro para R$ 1,187 trilhão em dezembro. Essa reserva cobre atualmente 7,33 meses dos vencimentos totais da dívida. Nos próximos 12 meses, vencerão R$ 1,507 trilhão em títulos.

A composição da dívida mostrou pequenas alterações: os títulos atrelados à Selic subiram de 48,14% para 48,25%, enquanto os corrigidos pela inflação caíram de 26,1% para 25,93%. Os prefixados se mantiveram estáveis em 22,05%, e os cambiais subiram para 3,76%.

Prazo e detentores

O prazo médio da dívida caiu ligeiramente, de 4,08 anos para 4 anos. Prazos maiores costumam indicar maior confiança dos credores na capacidade de pagamento do governo.

A base de detentores da dívida interna permanece majoritariamente com instituições financeiras (32,88%), seguidas por fundos de pensão (22,76%) e fundos de investimento (20,79%). A participação de investidores estrangeiros subiu para 10,35% em dezembro, contra 10,05% em novembro.

A dívida pública é o mecanismo pelo qual o governo federal toma empréstimos de investidores para honrar seus compromissos, comprometendo-se a devolver o valor corrigido pela Selic, inflação, câmbio ou por uma taxa prefixada.