O autor estava internado e enfrentava complicações relacionadas à doença de Parkinson. (Foto: Reprodução)
O autor estava internado e enfrentava complicações relacionadas à doença de Parkinson. (Foto: Reprodução)

A teledramaturgia brasileira perdeu, neste sábado (10/01), um de seus maiores ícones. O novelista Manoel Carlos, carinhosamente conhecido como Maneco, faleceu aos 92 anos. O autor estava internado e enfrentava complicações relacionadas à doença de Parkinson. A notícia de sua partida gerou uma onda de homenagens de atores, diretores e fãs que acompanharam suas histórias por décadas.

O Cronista do Leblon

Manoel Carlos se destacou por um estilo único: ele era o cronista das emoções e do dia a dia. Suas tramas, quase sempre ambientadas no charmoso bairro do Leblon, no Rio de Janeiro, focavam nos dilemas familiares, nas relações amorosas complexas e nos conflitos morais da classe média. Com diálogos realistas e densos, ele transformou a sala de estar dos brasileiros em um palco para debates sociais importantes, como doação de órgãos, alcoolismo e desigualdade.

O Legado das “Helenas”

Uma das assinaturas mais famosas de Maneco foi a criação de suas protagonistas, quase todas batizadas como Helena.

  • Perfis Marcantes: Suas “Helenas” (vividas por atrizes como Regina Duarte, Vera Fischer, Maitê Proença e Taís Araújo) eram mulheres fortes, imperfeitas e profundamente humanas.
  • Marcos Históricos: Em “Viver a Vida” (2009), ele apresentou a primeira Helena negra da TV brasileira, interpretada por Taís Araújo, rompendo barreiras e gerando discussões sobre representatividade.

Sucessos que Marcaram Época

A carreira de Manoel Carlos é repleta de obras que se tornaram parte da memória afetiva do país:

  • “Por Amor” (1997): O dilema da mãe que troca os bebês para poupar a filha do sofrimento.
  • “Laços de Família” (2000): A emocionante cena de Camila (Carolina Dieckmann) raspando a cabeça ao tratar a leucemia.
  • “Mulheres Apaixonadas” (2003): Uma trama ágil que abordou temas como violência doméstica e idosos.

Com sua partida, encerra-se um ciclo de uma televisão que sabia ouvir e escrever o cotidiano com sofisticação e alma. Maneco deixa o cenário, mas suas histórias e suas Helenas permanecem eternizadas no imaginário popular brasileiro.