Você já se perguntou por que alguns cães uivam à noite, mesmo sem nenhum motivo aparente? O silêncio da madrugada, quebrado por um uivo, pode despertar tanto curiosidade quanto preocupação nos tutores. Afinal, esse comportamento não é tão comum quanto o latido ou o rosnado. O que poucos sabem é que o uivo tem raízes profundas na ancestralidade dos cães e pode carregar diferentes significados — do instinto de comunicação herdado dos lobos até sinais de desconforto físico ou emocional.
Por que os cães uivam à noite?
O uivo é uma forma de comunicação canina que remonta à vida em matilhas. Lobos e cães selvagens utilizam esse som para chamar o grupo, avisar sobre perigos ou marcar território. Durante a noite, quando os sons externos ficam mais perceptíveis, o uivo pode ser acionado como resposta a estímulos sutis, como o barulho distante de uma sirene, outro cachorro latindo ou até mudanças no ambiente, como a presença de pessoas desconhecidas por perto.
Muitos tutores associam esse hábito ao “chamado da lua”, mas na prática o uivo noturno é muito mais funcional do que místico. Ele também pode indicar solidão, ansiedade de separação ou necessidade de atenção, já que os cães sentem de maneira intensa a ausência de seus donos enquanto descansam.
Curiosidade 1: Uivo é herança dos lobos
Os cães domésticos herdaram dos lobos o instinto de uivar como forma de comunicação à distância. Enquanto o latido é usado para situações mais imediatas, o uivo carrega uma função estratégica: reunir a matilha espalhada pelo território. Esse traço ainda permanece, mesmo em cães de apartamento. É por isso que, em certas noites, um cachorro pode uivar aparentemente “do nada”, mas, em sua percepção, está respondendo a um som distante que lembra o chamado de outro animal.
Essa herança genética explica também porque raças como Husky Siberiano e Malamute do Alasca uivam com mais frequência. Elas têm uma ligação mais forte com seus ancestrais e reproduzem esse comportamento quase como uma assinatura de identidade.
Curiosidade 2: Uivar pode ser sinal de solidão
O silêncio da noite pode acentuar sentimentos de abandono em alguns cães. Quando o tutor viaja, trabalha em turnos noturnos ou simplesmente deixa o pet sozinho por longos períodos, o uivo surge como uma espécie de pedido de ajuda. É a forma que o animal encontra para expressar sua carência emocional e chamar atenção.
Nesse sentido, o uivo funciona como um grito por companhia. Tutores que escutam o som com frequência devem observar se o cão apresenta sinais de ansiedade, como destruição de objetos, latidos excessivos ou agitação ao ver o dono se preparar para sair de casa.
Curiosidade 3: Cães também uivam em resposta a sons
Outro fator curioso é a capacidade de os cães imitarem ou responderem a sons específicos. Muitos tutores relatam que seus animais uivam quando ouvem sirenes de ambulâncias, alarmes ou até músicas com tons agudos. Isso acontece porque o timbre desses sons se aproxima do alcance natural do uivo.
Essa sensibilidade auditiva é tão refinada que alguns cães parecem entrar em “coro” quando outros cachorros da vizinhança começam a uivar. O fenômeno, além de curioso, mostra como a natureza cooperativa dos caninos ainda está viva, mesmo em ambientes urbanos.
Curiosidade 4: Uivar pode indicar dor ou desconforto
Embora o uivo tenha muitas conotações ligadas à comunicação e à ancestralidade, ele também pode ser um sinal de alerta. Alguns cães uivam à noite porque estão sentindo dor física, desconforto com o frio ou problemas de saúde. Nesses casos, o som tende a ser mais agudo, persistente e carregado de sofrimento.
O tutor deve estar atento a mudanças de comportamento, falta de apetite ou relutância em se movimentar. Se o uivo estiver associado a esses sinais, a visita ao veterinário se torna essencial para descartar doenças como artrite, problemas gastrointestinais ou até questões neurológicas.
Como lidar com os uivos noturnos
Entender o motivo por trás do uivo é o primeiro passo para lidar com o comportamento. Em casos de solidão ou ansiedade, oferecer brinquedos interativos, aumentar o tempo de passeios e, se possível, deixar roupas com o cheiro do tutor podem ajudar a reduzir a sensação de abandono.
Para cães que respondem a estímulos sonoros externos, criar um ambiente mais silencioso e acolhedor durante a noite pode ser eficaz. Fechar janelas, usar cortinas pesadas ou até ligar um som ambiente suave ajuda a reduzir os gatilhos.
Já se o uivo estiver ligado a dor ou desconforto, a intervenção médica é indispensável. Ignorar esse sinal pode agravar problemas de saúde e comprometer a qualidade de vida do animal.
O uivo como parte da identidade do cão
Mais do que um incômodo noturno, o uivo é um traço fascinante que conecta o cão ao seu passado selvagem. Ele traduz a complexidade emocional e social desses animais, revelando que, mesmo em meio à rotina urbana, eles ainda carregam no DNA o instinto de se comunicar como parte de um grupo.
Para os tutores, compreender esse comportamento é uma oportunidade de fortalecer o vínculo com seus pets. Afinal, cada uivo, seja ele de saudade, resposta a um som distante ou expressão de dor, é uma mensagem que merece ser escutada com atenção.
Assim, ao invés de encarar o uivo noturno apenas como um incômodo, pode-se olhar para ele como uma janela para o mundo interior do cão. Um convite para entender melhor suas necessidades, sua história e sua natureza.