Setembro: Dólar tem melhor desempenho do mês

Entramos no último trimestre do ano e os mercados globais seguem adotando um tom mais cauteloso. A percepção de que…

Colunista
Mestre em Economia, Engenheiro Mecânico e Assessor de Investimentos da X10 Investimentos. Contato: [email protected] - @leobpiveta - (espaço de coluna cedido à opinião do autor)
16:48 - 02/10/2023

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Entramos no último trimestre do ano e os mercados globais seguem adotando um tom mais cauteloso. A percepção de que os juros nos EUA ficarão altos por mais tempo (higher-for-longer) fez com que os investidores adotassem uma postura de aversão ao risco globalmente. No Brasil, os riscos fiscais voltaram ao radar e trouxeram um tom mais pessimista para o investidor local.

Resumo Mercado:

No mês de setembro o melhor desempenho foi do dólar, alta de 1,60%, enquanto o pior desempenho foi do S&P500, recuo de 4,87%. Na tabela abaixo estão os desempenhos dos principais índices:

Macro

O Fed não surpreendeu o mercado porque manteve a taxa de juros, mas pelo comunicado que abriu a possibilidade para mais um aumento de juro reforçando a percepção de que as taxas devem permanecer altas ao longo de boa parte de 2024. A economia americana também continua mostrando resiliência tanto pelos dados de emprego quanto pelos dados de inflação. Este último ainda pode ser impactado pelas recentes altas do petróleo, no terceiro trimestre a commodity teve alta de 30%.

Esses fatores fizeram com que as taxas de juros longas subissem na maioria dos países pressionando as bolsas. Além disso, os dados que vêm da economia chinesa continuam pouco animadores, o setor imobiliário ainda deve sofrer por mais alguns meses, mas no geral a economia deve estar chegando no fundo. Outra economia que tem chamado a atenção é a alemã. A Alemanha seguiu setembro divulgando dados pouco favoráveis.

No Brasil, o programa Desenrola criado pelo governo pode ter motivado a recente queda nos dados de inadimplência e comprometimento de renda das famílias que pode manter a economia levemente aquecida por mais tempo. Enquanto isso, embora o COPOM tenha cortado a SELIC em mais 0,5% e sinalizou mais duas quedas até o final do ano. A ata veio dois pontos que geraram cuidado do mercado: (i) as expectativas de inflação e (ii) o risco fiscal.

O segundo motivo parece ser é mais importante neste momento. A despeito dos números maiores do PIB brasileiro, a arrecadação não tem seguido o mesmo caminho. Alguns analistas afirmam que as receitas de algumas medidas do governo foram superestimadas. Assim, a banda inferior da meta para 2024 não seria cumprida. Não cumprimento da meta significa, maior risco para a economia do país.

Deste modo, as ações locais são negociadas em torno de 9,5x o P/L projetado de 12 meses (Excluindo Petro e Vale), enquanto a média histórica é 12,3x. O fluxo de capital estrangeiro também foi benigno e os fundos de ações tiveram captação líquida positiva depois de um longo tempo.

Portanto, a versão ao risco foi um movimento global. Localmente, o investidor brasileiro viu as taxas dos títulos aumentando e ações caindo. Nestes dois movimentos, podem estar mais uma chance de se posicionar em títulos com prêmios mais altos e em ativos descontados.

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