Queremos filhos felizes e bem sucedidos e eles sabem disto

Permitam um comentário na primeira pessoa. Sou filho de funcionário de empresa mista que era a CEEE naqueles tempos, antes…

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12:41 - 06/06/2017

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Permitam um comentário na primeira pessoa. Sou filho de funcionário de empresa mista que era a CEEE naqueles tempos, antes de ser o que sobrou depois da privatização. Meu saudoso pai nos colocou em escola particular, eu e meus dois irmãos. Devia ter bolsa, nunca soube ao certo. Ainda assim, por uns três anos e por opção minha estive em escola pública, da qual trago boas recordações.

Mesmo estudando em escola particular ia pra aula com bolsa do SESI e ali eu me sentia mais fazendo parte da classe operária do que me identificado com a elite sentada ao lado da minha carteira escolar. Nem por isso sofri bulliyng. Mas obviamente entendia que se eu não estava no porão, também não frequentava a cobertura do bairro mais nobre da cidade.

Porque digo tudo isto? Porque a minha escola de ensino médio – quando já não precisava mais da pasta do SESI – era precisamente a Instituição Evangélica de Novo Hamburgo, agora tristemente famosa. Isto por conta do evento “E se nada der certo”, que ganhou o noticiário porque, o que era para ser uma provocação acerca de estudo, dedicação, carreira, meritocracia, acabou não dando certo mesmo e virou sinônimo de preconceito e de separação de classes.

Concordo que a abordagem e a temática em si eram infelizes. Partiu-se de uma premissa negativa. Não podia redundar em algo bom. Mas não creio que justamente aquela escola seja o ovo da serpente. Fosse em outra escola particular e se veria o mesmo, aliás, há muitas escolas aqui na redondeza que poderiam rever seus conceitos, mas é isso que os pais querem? As escolas públicas não estão livres de bulliyng e de preconceitos e quem sabe o que viria de lá. Nestas escolas a ambição é menor? os sonhos são outros?

Mas, já se disse, não são os alunos do terceirão, não são os professores os culpados. A culpa é da sociedade em que vivemos e de seus valores. Começa na roupa de grife, passa pelas sentenças pejorativas a sindicatos e partidos que tem como projeto a distribuição de renda e de oportunidades.

E mais não digo porque quero convidá-los a refletir. Desejamos aos nossos filhos carreiras de prestígio e renda e padrões morais elevados. E, se nada der certo, bem, aí nos conformaremos que sejam apenas felizes, honestos e paguem o aluguel em dia.

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