O pequeno cisne negro

As crises financeiras costumam atingir a economia de surpresa. Nassim Taleb em seu best seller “A lógica do cisne negro” descreve como…

Colunista
Mestre em Economia, Engenheiro Mecânico e Assessor de Investimentos da X10 Investimentos. Contato: [email protected] - @leobpiveta - (espaço de coluna cedido à opinião do autor)
10:38 - 06/12/2023

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As crises financeiras costumam atingir a economia de surpresa. Nassim Taleb em seu best seller “A lógica do cisne negro” descreve como eventos não esperados acontecem de tempos em tempos. Eles, segundo o autor, fogem da expectativa comum e são extremos. Podemos concluir a partir dessas duas características podemos concluir que um cisne negro é único, mas será que ele é imprevisível?

É vastamente conhecido que a crise do subprime veio à tona apenas em 2008, quando o Lehman Brother quebrou e desencadeou o efeito em cascata no mercado financeiro. Todavia, a crise começara em 2007 no momento em que o mercado de crédito de alto risco (high yield em inglês) implodiu. Lehman Brothers, Bear Stearns, Fanny and Freddy, AIG quebraram porque todas estavam expostas aquele mercado hipotecário de alto risco.

Olhando para alguns dados atuais do setor imobiliário americano, notamos que temos números muito similares ao pico da bolha imobiliária. As vendas de casas nos Estados Unidos, por exemplo, atingiram em outubro o menor patamar em 13 anos, o nível é o mesmo da crise de 2008. O número de casas à venda está aumentando, ao mesmo tempo que vemos uma redução dos preços solicitados. Os movimentos no mercado imobiliário americano podem ser explicados por dois motivos. Primeiro, a razão entre os preços das casas e o índice de renda médio do americano está em um nível acima da bolha de 2007. Segundo, as taxas hipotecárias de 30 anos atingiram uma taxa de juros superior a 7,5% ao ano recentemente, maior em 23 anos. A conclusão é óbvia, o americano não consegue comprar novos imóveis porque os preços estão além da sua capacidade financeira e os níveis de juros tornam a tomada de crédito inviável.

Estes são alguns fatores que nos fazem traçar um paralelo interessante entre a situação atual e a vivida na época da crise financeira. A inversão das curvas de juros dos títulos de 2 e 10 anos é mais um ingrediente. Para quem não entende este conceito, inversão da curva significa que o juro de um título de prazo mais longo é menor do que um título de vencimento mais curto. O normal seria exigirmos um juro mais alto para um prazo mais alongado. Historicamente esta inversão tem precedido crises nos EUA. Foi assim em 2007, 2000, 1988.

Por isso e por outros motivos, eu não acredito que a crise financeira de 2008 foi um cisne negro, muito pelo contrário, foi uma crise previsível, somente estava escondida atrás de uma cortina de fumaça criada pelos agentes financeiros que inventaram diversos derivativos financeiros classificados como baixo risco atrelados a ativos de alto risco (subprime). É importante estar preparado e proteger seu patrimônio caso outra crise de proporções semelhantes se repita.

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