O CDI foi o melhor rendimento de outubro

No mês de outubro, a surpresa positiva do PIB dos Estados Unidos e as condições fiscais do governo americano acentuaram…

Colunista
Mestre em Economia, Engenheiro Mecânico e Assessor de Investimentos da X10 Investimentos. Contato: [email protected] - @leobpiveta - (espaço de coluna cedido à opinião do autor)
09:27 - 03/11/2023

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No mês de outubro, a surpresa positiva do PIB dos Estados Unidos e as condições fiscais do governo americano acentuaram a escalada dos juros dos treasuries e mantiveram a pressão sobre os mercados acionários. Os dados vindos do continente europeu confirmaram a baixa na atividade econômica enquanto na China alguns indicadores apontaram leve melhora trazendo a sensação de que o pior já passou no gigante asiático. Por outro lado, no Brasil, a pauta do risco fiscal voltou definitivamente aos olhares dos investidores depois das declarações de Lula. Por fim, as decisões dos bancos centrais também impactaram bastante o humor do mercado.

Resumo do Mercado:

No mês passado, o melhor desempenho foi do CDI, alta de 1,00%, enquanto o pior desempenho foi do índice de Small Caps, recuo de 7,25%. Na tabela abaixo estão os desempenhos dos principais índices:

índices econômicos

Cenário Macro

Os dados do PIB americano no 3T23 divulgados surpreenderam positivamente o mercado, crescimento de 4,9% comparado ao trimestre anterior. Alguns dados de emprego também vieram forte no mês. Estes dois fatores impulsionaram os rendimentos dos títulos americanos de 10 anos para mais de 5% ao longo do mês e as taxas de hipotecas subiram para 8% ao ano. Embora o deflator PCE tenha vindo um pouco acima das expectativas e após a decisão do Fed de manter as taxas de juros, as apostas do mercado se intensificaram no sentido de que o ciclo de alta dos juros americanos se encerrou e, por isso, inicie-se uma redução nas taxas de juros após o 2T24.

O comunicado mais dovish fez com que as taxas dos títulos americanos recuassem logo no início de novembro, mas os recorrentes déficits do governo, que impulsionaram os prêmios de risco exigidos pelos investidores para financiar o governo americano, seguem no radar. Além destes acontecimentos macros, tivemos o início da guerra em Israel, aliado dos Estados Unidos, o conflito acelerou a fuga de capital do risco, por isso, o preço do ouro e do bitcoin dispararam.

Do outro lado do Atlântico, a zona do Euro passa por um momento delicado, na última reunião o Banco Central Europeu decidiu manter as taxas de juros. O principal motivo foi que o núcleo da inflação parece ter atingido seu pico e começou um movimento de queda aliviando, assim, a pressão por mais altas nas taxas. De toda forma, a economia do continente europeu vem patinando ao longo de 2023 e espera-se que grandes economias como Alemanha, França e Inglaterra (fora da zona do Euro) tenham desempenhos modestos ou até negativos nos próximos trimestre.

Na Ásia, o Banco Central do Japão considerou permitir que as taxas dos títulos superassem 1% ao ano enquanto alguns dados da China mostraram que o fundo pode ter sido alcançado e a segunda maior economia do mundo pode iniciar um processo de recuperação. A produção industrial no país asiático subiu 4,5% e as vendas no varejo 5,5% em setembro. A demanda doméstica sustentou um avanço de 1,3% do PIB chinês. O banco central chinês também reduziu algumas taxas para tentar impulsionar a economia.

Apesar da volatilidade e de um cenário externo adverso, a moeda brasileira vem se mostrando estável sustentada principalmente por uma balança comercial forte. A inflação também vem dados sinais positivos, dados do IPCA-15 sugerem que a inflação dos serviços está arrefecendo e pode favorecer o corte de juros. Pelo lado negativo, tivemos as recentes falas do presidente em relação à meta fiscal. A possibilidade do descumprimento do orçamento fez com que os juros futuros subissem e a bolsa caísse no mês de outubro. Traduzindo o que muitos entenderam: se a meta fiscal pode ser alterada a qualquer momento sem penalidade o arcabouço fiscal não tem validade alguma.

Dias após as declarações, tivemos a confirmação da decisão do Copom de baixar os juros em 0,5% e contratar novas quedas. Na esteira desta decisão, circularam informações de que o governo irá alterar a meta fiscal ainda neste ano para não sofrer as punições previstas no arcabouço fiscal.

Portanto, o cenário do juro brasileiro e o preço descontado das ações podem ser uma oportunidade. Ainda é possível alocar capital em pré-fixados com taxas excelentes e para quem suporta maior volatilidade investir em ações, porque o P/L esperado para os próximos 12 meses está atualmente mais baixo do que no mês anterior, reforçando a narrativa de um bom ponto de entrada nas ações. Entretanto, a situação fiscal do governo brasileiro deve seguir no radar dos investidores nas próximas semanas e este viés foi destacado pelo Banco Central em seu comunicado.

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