Ibovespa dispara em novembro

A dinâmica benigna da inflação no curto prazo e uma balança comercial pujante renovaram as esperanças de que a Selic terminará 2024 em um único dígito

Colunista
Mestre em Economia, Engenheiro Mecânico e Assessor de Investimentos da X10 Investimentos. Contato: [email protected] - @leobpiveta - (espaço de coluna cedido à opinião do autor)
15:38 - 01/12/2023

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Desde que as taxas de juros dos títulos americanos atingiram sua máxima na última quinzena de outubro, dados favoráveis vindos da economia americana derrubaram-nas e aumentaram o apetite ao risco. Os países emergentes voltaram ao foco dos investidores globais e o Brasil foi um dos grandes beneficiados. Por aqui, a dinâmica benigna da inflação no curto prazo e uma balança comercial pujante renovaram as esperanças de que a Selic terminará 2024 em um único dígito. Por outro lado, o risco permanece sendo a situação fiscal do país.

Resumo do Mercado:

O melhor desempenho de novembro foi do Ibovespa, alta de 11,86%, enquanto o pior desempenho foi do dólar, recuo de 2,11%. Na tabela abaixo estão os desempenhos dos principais índices:

Indicador

Novembro

2023

12 meses

CDI (a.a.)

0,91%

12,04%

13,29%

IRF-M

2,35%

14,68%

16,37%

IMA-B

2,49%

12,80%

12,58%

IBOV

11,86%

15,46%

12,64%

SMLL

11,66%

8,81%

5,53%

S&P500

8,42%

18,50%

11,51%

Dólar

-2,11%

-7,07%

-5,25%

IFIX

0,67%

10,81%

10,80%

IHFA (Multimercados)

2,06%

6,00%

6,43%

Cenário Macro

As taxas dos títulos americanos de 10 anos caíram de 4,99% em 19 de outubro para 4,33% ao ano em novembro. O que tracionou a alta de 8,9% do S&P500 no mês. O movimento apoiou-se em dados vindos do mercado de trabalho, o Payroll de outubro apontou para uma criação de apenas 150 mil vagas e uma taxa de desemprego de 3,9%. Não obstante, o CPI de outubro ficou praticamente estável e ainda trouxe uma surpresa positiva com o núcleo do índice composto por itens menos voláteis.

O Fed também anunciou a manutenção da taxa de juros na reunião de novembro e em seu comunicado sinalizou que o ciclo de alta pode ter chegado ao fim. Estes foram os motivos que fizeram a curva de juros americanas fecharem com força e impulsionarem os ativos de risco.

Na zona do Euro, os dados de atividade industrial (PMI) permaneceram na zona considerada de contração, porém a inflação do continente parece estar se encaminhando para a meta do Banco Central Europeu que em comunicado afirmou não vislumbrar novas altas de juros.

Enquanto isso, as dificuldades enfrentadas pelo setor imobiliário chinês seguem. Uma agenda de estímulos foi criada pelo governo para tentar impulsionar o setor. Embora a confiança siga baixa, dados vindos do varejo e indústria apontam para uma melhora. O sentimento de que o fundo foi alcançado reforçam uma visão construtiva, porém lenta, para a China nos próximos meses.

O risco fiscal parece ter sido adiado por um tempo. Rumores da mudança da meta fiscal de 2024 ganharam notoriedade ao longo do mês. Espera-se que nos primeiros meses do ano teremos a mudança da meta para um déficit de 0,5% do PIB. O que assusta o mercado é o uso de criatividade para manter as contas do governo dentro da meta e evitar o contingenciamento de despesas. Todavia, o risco fiscal foi ignorado principalmente pelo investidor estrangeiro, que entrou com força ao longo de novembro na bolsa brasileira. No mês o saldo de entrada está positivo em mais de R$18 bilhões, no ano está positivo em R$24,5 bilhões.

Além disso, tudo indica que teremos um recorde na balança comercial, as exportações superarão as importações em aproximadamente 95 bilhões de dólares. Essa entrada de moeda estrangeira pode sustentar o dólar abaixo de 5 reais.

As pressões inflacionárias também têm se reduzido, as medidas do núcleo e de serviços vieram positivas e reforçaram a percepção de que a trajetória da Selic para 2024 se manterá até atingir um dígito apenas. O PIB ainda preocupa um pouco, pois o IBC-Br, que é considerado a prévia do PIB, apresentou variação de -0,64%.

Portanto, um alívio nas pressões inflacionárias e empregos contribuíram para o mercado precificar uma queda de juros na economia americana em maio de 2024. Este foi o gatilho para que o investidor estrangeiro entrasse com força em mercados emergentes. O Brasil foi beneficiado e, apesar dos problemas internos, acompanhou o rally. Assim, saímos de um mês muito negativo para as bolsas e fomos a outro extremo. O otimismo segue em todo mercado global.

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