Vazamento, Justiça e rito sumário

Não há dúvida de que estamos sempre vivendo novos tempos, mas parece que estes de hoje são mais novos ainda….

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10:25 - 17/06/2019

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Não há dúvida de que estamos sempre vivendo novos tempos, mas parece que estes de hoje são mais novos ainda. E, sobrevivem melhor quem a eles se adequar mais rapidamente. Aquela velha história de George Orwel prevendo que num futuro próximo seríamos todos vigiados pelo Grande Irmão chegou e se autoafirma a cada dia.

Este episódio do vazamento de conversas entre o hoje Ministro Moro e o representante do MPF Deltan Dall`Agnoll deriva de um ato ilegal, criminoso. Alguém fez escuta o hackeou conversa privada entre duas pessoas sem autorização judicial. Merece ser punido. Portanto, qualquer contestação judicial, a meu ver, não prosperará. Esta é minha ressalva número 1.

Nestes novos tempos em que celulares são ferramentas, mas também armas, poderosíssimas, portanto servem ao bem e ao mal, mais do que nunca é preciso agir com ética. Digo, todos nós precisamos ser éticos até em pensamento, que dirá falando ou escrevendo. A qualquer momento se está sendo gravado ou filmado – ao vivo e gravado- sem que ao menos saibamos. Só a retidão salva. A velha história de quem não deve não teme.

O conteúdo das conversas – só tivemos acesso a uma pequena parcela do que se diz existir – não me surpreende. Afinal havia e há uma “força tarefa”. Aliás o seriado um pouco ficcional e muito baseado em fatos reais, “O Mecanismo”, mostra Moro e o MPF traçando ações em conjunto muito antes do vazamento. Há narrativas para quem defende Moro, há narrativa para quem quer Lula Livre. Tudo válido e possivelmente sem mudar convicções políticas. Entretanto o debate sobre o alcance da Justiça e os meios de promovê-la são necessários nesta época de pós verdade. Ressalva 2: Vale tudo? Ou só vale se for contra nossos inimigos?

Redes sociais viraram centrais de linchamento. O julgamento é sumário e não dá chance à defesa nem exige leis. O rito é sumaríssimo. Não se pode e nem se quer a mesma coisa do poder judiciário ou contra ele como é o caso agora do Ministro Moro. É preciso preservar as instituições, apesar do avanço das redes sociais e da falta de regras claras.

 

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