Pais, filhos e decisões difíceis

Chega a ser engraçado com o  papel de pai normalmente é posto em segundo plano nesta questão de homenagens. Basta…

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09:01 - 14/08/2017

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Chega a ser engraçado com o  papel de pai normalmente é posto em segundo plano nesta questão de homenagens. Basta ver aí nas estatísticas do comércio. Pai é menos presenteado do que mãe. E aqui não vai uma lamúria. Entendo que há uma justiça muito grande sendo feita. Afinal, nada poderá substituir nove meses de intimidade, de dependência e ligações absolutas entre mãe e filho. E quando há uma separação o caminho natural, pelo menos até outro dia, era que os filhos ficassem com a mãe.

Então, neste domingo, em que recebemos tantas homenagens, abraços presentes ou por telefone, de nossos amados filhos, inúmeras vezes me peguei pensando que as mães merecem mais homenagens dos que nós. Mas não é sem méritos que os pais tem o seu dia. Não há o cordão umbilical a alimentar esta ligação. Não, nossa ligação vem do olho no olho, do carinho e da proteção. Da mesada e da repreensão. Dos jogos e brincadeiras e do exemplo no agir.

Ser inspirador não é algo que se planeja. Os filhos nos melhoram também por aí. Nos tornamos mais sensíveis, mais responsáveis. Passamos a medir palavras e ações, afinal há quem nos esteja observando ao crescer, que busca e precisa de exemplos mesmo sem saber.

A gente começa a ser pai ainda quando antes chegam os sobrinhos. Ali tem início este gosto pelo cuidado, pelo lúdico e pela educação. Quando os filhos chegam – pelo menos assim foi comigo – já sabemos um pouco do roteiro e ainda assim é muito diferente e é mais intenso. Afinal, as noites em claro  pela cólica deles ou, mais tarde, quando precisamos buscá-los na balada, não são tarefa de tio, mas de pai.

Acompanhar as dificuldades na escola os primeiros tormentos da adolescência, o namoro que não deu certo e a opção pela faculdade. A torcida para que tudo dê certo sem que se possa agir diretamente nos aflige demais. E nem nos damos conta de que o que poderíamos ter feito já foi antes. Quando eles chegam à fase de escolhas e decisões da entrada na vida adulta, nos cabe acompanhar numa espécie de vigília.

Aí vem uma nova fase do ser pai. Muito difícil saber qual é o limite entre exagerar na superproteção e o momento em que realmente é necessário intervir sem que isto atrapalhe a capacidade de escolha do filho. Vamos deixa-lo tentar mais um pouco ou tirá-lo do sufoco já? Difícil e doída decisão. Muitas vezes o mais fácil seria fazer o tema por ela, pagar a conta por ele.

Ser pai é estar presente em corpo e alma quando possível ou apenas acompanhar à distância torcendo pra dar certo e oferecendo apoio se algo falhar.  Não é simples nem fácil, mas gostoso e com muitos frios na barriga. O aprendizado é no caminhar. E quando pensamos estar prontos para finalmente sermos pais, bem, daí nos tornamos avós.

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