Fevereiro foi um mês atipicamente tranquilo

Os investidores passaram o mês sem precisar fazer grandes movimentos de realocação de capital. Os destaques novamente foram as ações…

Colunista
Mestre em Economia, Engenheiro Mecânico e Assessor de Investimentos da X10 Investimentos. Contato: [email protected] - @leobpiveta - (espaço de coluna cedido à opinião do autor)
11:46 - 11/03/2024

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Os investidores passaram o mês sem precisar fazer grandes movimentos de realocação de capital. Os destaques novamente foram as ações da Nvidia e a vigorosa alta das criptomoedas.

Resumo do Mercado:

O S&P500 subiu 5,70% no mês e teve o melhor desempenho. O pior desempenho foi do índice de fundos multimercados (IHFA). Na tabela abaixo estão os desempenhos dos principais índices:

Cenário Macro

Embora tranquilo, tivemos em fevereiro alguns números que atualizaram as perspectivas relativas ao início de corte de juros americanos. O payroll veio bem acima do esperado. A geração de empregos em janeiro ultrapassou 350 mil vagas. A inflação, medida pelo CPI (consumidor) e PPI (produtor), também surpreendeu, vindo acima do que era esperado pelo mercado.

Powell já havia mencionado que os membros do FOMC precisariam sentir mais confiança para realizarem o primeiro corte de juros. Com os últimos dados divulgados mostrando que a economia e consumo seguem em alta com um mercado de trabalho ainda gerando muitas vagas, os investidores esperam que o ciclo de corte de juros aconteça apenas perto da metade do ano.

Ásia e Europa

A economia da Zona do Euro mostrou uma recuperação do setor de serviço, no entanto, a indústria segue preocupando. A Alemanha, maior economia do bloco, entrou em recessão técnica. Enquanto Itália, França e Espanha mostraram alguma evolução indicando que o pior momento possa ter ficado para trás.

A China vai começar a divulgar seus dados econômicos, porque o país fica no escuro estatístico neste período do ano em função do feriado estendido do ano novo lunar. A despeito da contínua preocupação com o setor imobiliário do país, observou-se um aumento nas viagens neste feriado em comparação com períodos anteriores. Isto pode ser um indicativo de recuperação do consumo.

Todavia, o acontecimento mais importante é a divulgação da meta de crescimento do país para este ano. Ela deve ficar em torno de 5%*. Qualquer coisa diferente disso possivelmente movimente o mercado. Vale destacar que ao longo de fevereiro tivemos uma mudança na regulação dos mercados de ações chineses colocando restrições nas vendas de ativos.

Brasil

O PIB brasileiro confirmou um crescimento de 2,9% em 2023. O setor do agronegócio foi o grande propulsor do número, principalmente no primeiro semestre do ano. Inclusive as expectativas do Boletim Focus de crescimento do PIB do país seguem melhorando. No começo de fevereiro, elas apontavam para um aumento de 1,60% e agora estão em 1,75%. Além disso, a arrecadação fiscal cresceu 6,7% em janeiro e, segundo o Banco Central, a balança comercial foi recorde para o mês, o país exportou US$6,5 bilhões a mais do que importou.

Neste cenário, o dólar se manteve abaixo de 5 reais mesmo que desde o início do ano o investidor estrangeiro tenha retirado quase R$18 bilhões da bolsa brasileira.  O desempenho do Ibovespa também não foi melhor, pois os investidores não se sentiram confortáveis com as recentes falas do presidente da Petrobrás.

Conclusão e comentários

A tranquilidade de fevereiro refletiu nos índices que apresentaram variações similares, principalmente na classe de renda fixa. A única empresa que vem dando o que falar é a Nvidia, a produtora de chips para inteligência artificial segue puxando todo mercado americano. De fato, ela só não ganha dos criptoativos, em especial o Bitcoin. Após a liberação dos ETF’s da criptomoeda, o rally segue e a cotação ultrapassou os US$65 mil dólares.

Sobretudo, parece que o humor dos investidores tem melhorado mês após mês na margem, ainda que os cortes de juros americanos sejam esperados apenas para junho. Até no Brasil, a mudança da meta fiscal, que era dada como certa em março, foi postergada para maio após a divulgação da arrecadação do governo. Porém, essa melhora momentânea do cenário brasileiro ainda não se refletiu nos títulos atrelados à inflação de longo prazo e nas empresas ligadas à economia doméstica.

 

*O artigo foi escrito originalmente antes do anúncio de meta de crescimento de 5%.

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