É melhor remediar do que prevenir

Quando acontece uma tragédia, uma das primeiras coisas que vem a mente é como poderíamos ter prevenido o acontecido, desejando…

Colunista
Vive entre Florianópolis, Califórnia e Caxias do Sul. Designer, publicitária, gestora e redatora de conteúdo web, produtora e viajante profissional. Escreve de tudo um pouco pra se divertir e economizar na terapia. Também faz o melhor pudim de leite das Américas. Espaço cedido à opinião da autora.
11:01 - 28/05/2024

Compartilhar:

Facebook Twitter Whatsapp

Quando acontece uma tragédia, uma das primeiras coisas que vem a mente é como poderíamos ter prevenido o acontecido, desejando que a vida tivesse um botão de retornar para desfazer seja lá o que houve. Que maravilha ia ser, né?

Infelizmente a vida só vai pra frente, mesmo que muitas vezes a gente sinta que ela e toda a humanidade estejam andando velozmente pra trás.

Os acontecimentos catastróficos que vivenciamos nos últimos anos me deixam com a desconfortável sensação de que poderiam ter sido evitados. E o desconforto é ainda maior pensando que não havia nada que nós, simples mortais como eu e você, pudéssemos fazer, além de não sermos negacionistas nessa sociedade deturpada, que gasta mais em recuperação do que em prevenção.

A Covid-19, de origem ainda não comprovada, mas possivelmente vinda do contato humano com animal infectado ou de um acidente em laboratório chinês, tem pra mim a mesma origem, seja qual for a versão correta. Foi a intromissão humana no mundo dos microorganismos. Mundo esse com o qual poderíamos conviver para sempre, mas não, a gente foi lá se meter e deu no que deu.

Agora, com as transformações climáticas, encontramos os mesmo enxeridos dando início ao processo. Sim, nós, seres humaninhos, fomos lá devastar, modificar as configurações naturais, instalar e expandir cidades onde não deveríamos, avançar os processos destrutivos, diminuindo consideravelmente a expectativa de vida do planeta.

Diz uma fofoca da história, que quando fundou uma cidade bem conhecida de Santa Catarina, um alemão colonizador não entendeu porque os índios não viviam ao lado do rio, o que parecia pra ele mais inteligente e eficiente. Ele, europeu estudado e esperto, foi lá e fundou a cidade às margens do rio Itajaí-açu. Deu no que deu, enchentes e afins, que assombram a cidade até hoje. Não por culpa da natureza, mas por nosso desconhecimento dela.

E se todos os filmes de catástrofe iniciam com as autoridades e população ignorando os cientistas, podemos nos sentir em pleno set de filmagem. Falo de cientistas de verdade, não os teoristas da conspiração fakenewseanas ou os palestrantes de whatsapp. Enfim, os estudiosos de verdade nos mostraram as diferentes versões desse roteiro, numa espécie de filme interativo onde podemos escolher o final, e acabamos escolhendo o da destruição.

Os poucos que ouvem são considerados malucos, alarmistas, anti-progresso. E sem saber o que fazer, continuamos vivendo a nossa vida.

Enquanto isso, os negacionistas raiz continuam dizendo que o filme é apenas uma ficção barata, mas nós sabemos que é um documentário bem real. Não entendem que seja lá o que acontecer, não vão ser afetados apenas os pobres mortais, mas também eles, dessa casta que se acha superior. Não vai mais ser possível viver confortavelmente, independente de quanto dinheiro você tiver, porque a vida vai mudar radicalmente.

A natureza não se vinga, ela corre seu curso natural, e muda quando nós, do alto da nossa soberba, pensamos que podemos fazer gato e sapato dela sem dó nem piedade e não sofrer as consequências.

Fica a dica pra Inteligência Artificial, instalar um botão de retroceder uma casa pra cada bobagem que a nossa Desinteligência Natural fizer. É melhor retroceder nas nossa atitudes autodestrutivas e prevenir, do que continuar remediando até o fim.

Compartilhe nas suas redes

Facebook Twitter Whatsapp