Ajuste no cenário de juros global

As taxas de juros americanas de 10 anos subiram e o mercado brasileiro foi quem mais sentiu, recuando mais de 9% em dólar.

Colunista
Mestre em Economia, Engenheiro Mecânico e Assessor de Investimentos da X10 Investimentos. Contato: [email protected] - @leobpiveta - (espaço de coluna cedido à opinião do autor)
17:34 - 08/04/2024

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Apesar do novo cenário, o S&P500 novamente teve o melhor desempenho em março. O índice americano subiu 3,10%. O pior desempenho foi do Ibovespa, queda de 0,71%.

Cenário Macro

O consumo americano acelerou, segundo os dados do deflator PCE. A demanda por serviços continua forte e juntamente com o mercado de trabalho apertado, forma-se um panorama desafiador para o controle da inflação.

Assim, o posicionamento mais cauteloso do Federal Reserve desencadeou um movimento de ajuste nas expectativas para o início de corte de juro. Os investidores que no início do ano esperavam o primeiro corte em março, agora esperam em junho ou até mais adiante. Além disso, antes eram esperados seis cortes, mas diante do novo posicionamento do FOMC e dos dados vindos da economia, projeta-se apenas 3 cortes em 2024.

Ásia e Europa

A economia européia vem mostrando sinais de melhora, assim como a economia chinesa. Na primeira, dados de serviços melhoraram, mas a indústria ainda sofre com uma recuperação insipiente. A inflação, por sua vez, mostrou arrefecimento e o Banco Central Europeu já ventila a intenção de iniciar cortes nos juros.

O setor industrial na China mostrou crescimento de 7% em janeiro e fevereiro. Todavia, o setor imobiliário segue sofrendo com queda superiores a 20% em vendas de casas novas na comparação anual. A anúncio da meta de crescimento do PIB pelo partido em 5% neste ano sugere que poderemos ter alguma flexibilização da meta fiscal e estímulos monetários para impulsionar a economia que se transforma de um modelo voltado ao crescimento para um modelo que focaliza na qualidade dos investimentos.

Brasil

Os dados de inflação vieram salgados no primeiro trimestre e o mercado de trabalho mostrou força. Desta forma, o Banco Central brasileiro apesar de ter realizado corte de 1% na taxa Selic no trimestre, sinalizou que pode reduzir o ritmo de queda.

Observamos uma forte saída de capital estrangeiro na bolsa, mais de R$22 bilhões. Boa parte por causa do cenário de juros americano. A balança comercial do país segue com bons números, mas não sustentou o real frente a força do dólar. O Boletim Focus vem mostrando uma revisão altista para o PIB do Brasil em 2024 e uma inflação controlada.

Embora surpresas positivas do lado da arrecadação foram observadas, a discussão sobre a meta fiscal do governo segue aquecida. Muitas notícias sobre governo e empresas também afetaram as companhias listadas. Vale e Petrobrás foram as mais voláteis, as elétricas parecem ser as próximas a serem atingidas.

O país como um grande produtor de commodities foi bastante influenciado por elas. A queda de 26% no preço do minério de ferro no trimestre, atingiu a cotação das mineradoras e siderúrgicas enquanto os preços da soja e milho recuam próximo a 9% no ano. Por outro lado, o preço do barril de petróleo sobe 13,5% ano.

Conclusão e comentários

A maioria dos movimentos globais tem se resumido ao que acontece na economia americana. Neste novo cenário, o dólar se valorizou. O índice Dólar (DXY) sobe 3,6% no ano. A narrativa de empresas ligadas à inteligência artificial segue.

Por isso, o Brasil tem sofrido e a bolsa brasileira recuou no trimestre, porque o investidor estrangeiro tem corrido para o dólar e para empresas de AI. O ambiente doméstico também foi agitado pelas intervenções do governo central em algumas empresas e em setores específicos.

Um mercado de trabalho aquecido e uma economia que mostra relativa resiliências são os desafios que o Banco Central brasileiro tem à frente para controlar a inflação. Enquanto o risco fiscal segue sobre a mesa de discussões com a expansão dos gastos e a busca incessante por novas fontes de receita.

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