A miragem brasileira

O desvio de luz sob a areia quente dá a nítida impressão que existe água no meio do deserto. Este…

Colunista
Mestre em Economia, Engenheiro Mecânico e Assessor de Investimentos da X10 Investimentos. Contato: [email protected] - @leobpiveta - (espaço de coluna cedido à opinião do autor)
14:16 - 16/04/2024

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O desvio de luz sob a areia quente dá a nítida impressão que existe água no meio do deserto. Este fenômeno é chamado de miragem. Os raios de luz e o próprio cérebro do observador produzem os efeitos que confundem a percepção.

O investidor caminha há anos no deserto brasileiro, por vezes, árido, seco, quente. Ao final de 2023, ele parecia ter encontrado água até o estrangeiro compartilhou da emoção com o novo Brasil. Afinal, éramos aparentemente neutros nos conflitos geopolíticos, grandes exportadores de commodities, nossa inflação estava sob controle, estávamos avançados no ciclo de corte de juros, ações apresentavam um valuation barato e o ajuste fiscal estava encaminhado.

Todavia, chegamos em meados de abril e defrontamo-nos com o real sendo umas das piores moedas ante o dólar. Desvaloriza-se mais do que o peso argentino. A bolsa cai, os juros futuros sobem. Os títulos do governo estão pagando juro real na casa do 6% representando o aumento do risco país.

As sinalizações vindas do governo reafirmaram uma posição intervencionista nas empresas públicas e privadas, além do compromisso de manter os benefícios sociais, expandir gastos e ampliar somente a busca por novas fontes de receitas. Por fim, tivemos a mudança de meta fiscal para o ano que vem e posteriores.

Se por um lado, não é trivial a tarefa de conectar os efeitos de política interna com os efeitos causados pelos acontecimentos externos. Por outro lado, o investidor estrangeiro sai massivamente das ações brasileiras. O saldo está negativo ultrapassando mais de 24 bilhões em retiradas.

Parece que ao caminhar no deserto brasileiro, ao menos o investidor estrangeiro se convenceu que tudo não passava de uma miragem.  Porém, cabe salientar que o governo vem executando o cronograma traçado desde as eleições. A mudança ocorre na percepção do mercado. No exterior as coisas também mudaram. Os conflitos geopolíticos têm afugentado o investidor. De fato, a tarefa do investidor brasileiro segue sendo árdua, na sua caminhada no deserto ele deve saber diferenciar entre miragens e oásis verdadeiros.

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