Chegada dessa tecnologia ao Rio Grande do Sul coloca o estado no mesmo patamar de grandes centros mundiais. (Foto: Divulgação)
Chegada dessa tecnologia ao Rio Grande do Sul coloca o estado no mesmo patamar de grandes centros mundiais. (Foto: Divulgação)

O Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, marcou um avanço histórico para a ortopedia sul-riograndense ao realizar a primeira cirurgia de alongamento ósseo utilizando uma haste intramedular motorizada. A técnica, que é considerada o “padrão-ouro” na medicina moderna para correção de discrepâncias de membros, foi aplicada em um paciente que apresentava uma diferença significativa de comprimento entre as pernas.

Como funciona a tecnologia da cirurgia?

Diferente do método tradicional de Ilizarov (que utiliza “gaiolas” metálicas externas presas ao osso por pinos que atravessam a pele), o sistema utilizado — conhecido comercialmente como PRECICE — é totalmente interno:

  • Implante Magnético: Uma haste de titânio contendo um micromotor é inserida dentro do canal medular do osso (fêmur ou tíbia).
  • Controle Remoto Externo: O próprio paciente aciona um dispositivo eletromagnético sobre a pele por alguns minutos, três vezes ao dia.
  • Alongamento Milimétrico: O campo magnético faz com que a haste se expanda gradualmente (cerca de 1 mm por dia), estimulando o crescimento de novo tecido ósseo no espaço criado.

Vantagens para o Paciente

A principal inovação deste procedimento inédito no estado é o conforto e a segurança do paciente:

  1. Risco de Infecção Quase Zero: Como não há pinos atravessando a pele por meses, o risco de infecções graves é drasticamente reduzido.
  2. Menos Dor: O alongamento é mais preciso e menos traumático para os tecidos moles (músculos e nervos).
  3. Estética e Mobilidade: Sem o aparelho externo volumoso, o paciente pode usar roupas normais e tem maior facilidade para realizar fisioterapia precoce.

Marco para a Medicina Gaúcha

A equipe médica, liderada por especialistas em reconstrução e alongamento ósseo, ressaltou que a chegada dessa tecnologia ao Rio Grande do Sul coloca o estado no mesmo patamar de grandes centros mundiais. Embora o custo do implante ainda seja elevado e não esteja coberto pela maioria dos planos de saúde básicos, o sucesso da operação abre caminho para que a técnica se torne mais acessível e frequente em casos de traumas graves ou malformações congênitas.