
O prefeito de Caxias do Sul, Adiló Didomenico, confirmou que irá vetar o projeto aprovado pela Câmara de Vereadores que prevê o aumento do vale-alimentação de servidores e vereadores, de R$ 949,52 por mês para R$ 1.899. A declaração foi feita em entrevista durante o programa Bom Dia Trabalhador, da Rádio Viva 94.5 FM, na manhã deste sábado (10).
Segundo o prefeito, atualmente há uma defasagem entre o valor do vale-alimentação pago pela Prefeitura, em torno de R$ 847, e o da Câmara. Em 2025, o Executivo firmou um acordo com o Sindicato dos Servidores Municipais (Sindserv) prevendo que, em 2026, o benefício dos servidores municipais seria equiparado ao da Câmara, com reposição inflacionária, previsão já incluída na Lei Orçamentária Anual (LOA). No entanto, o aumento aprovado pelos vereadores extrapolou completamente esse planejamento.
Porém, o reajuste aprovado pelo Legislativo não possui previsão legal nem orçamentária no âmbito da LOA. Caso fosse estendido aos servidores municipais, o impacto seria de R$ 7 milhões a R$ 7,3 milhões por mês, totalizando cerca de R$ 80 milhões ao ano.
Outros projetos também serão vetados
Além do vale-alimentação, o prefeito informou que também deverá vetar o reajuste salarial dos servidores da Câmara, que teria incluído 0,5% a mais do que o acordado com o sindicato e contemplando aposentados. Ambos os vetos, segundo o prefeito, estão sendo embasados em um parecer jurídico elaborado pela Procuradoria do Município e por assessoria jurídica da Câmara.
Adiló ressaltou que o prazo legal para sanção ou veto é de 15 dias, até 21 de janeiro, e que houve forte pressão política para a sanção imediata dos projetos. Ainda assim, afirmou que fará a sanção dos demais projetos aprovados juntamente com o veto aos dois considerados irregulares, possivelmente já nos próximos dias.
Ajustes na máquina pública e responsabilidade fiscal
O prefeito destacou que a Prefeitura vem promovendo mudanças para enxugar a máquina pública, citando ajustes recentes em estruturas administrativas e medidas para reduzir custos futuros.
Ele também mencionou que somente em dezembro um grupo de 15 servidores aposentados gerou um custo de R$ 8 milhões, em razão de licenças-prêmio e férias acumuladas, reforçando a necessidade de correções para garantir a viabilidade financeira do município no longo prazo.
“Estou pagando um preço político alto, mas é uma responsabilidade com o futuro de Caxias do Sul e com o próximo prefeito”, afirmou.