Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou uma nova finalidade para a vacina contra o HPV disponível no Brasil. A partir desta decisão, o imunizante Gardasil 9 passa a ser oficialmente indicado também na prevenção dos cânceres de orofaringe, cabeça e pescoço provocados pelo papilomavírus humano.

Novo público-alvo e faixa etária

A ampliação do uso beneficia crianças, adolescentes e adultos. Podem receber a vacina pessoas de 9 a 45 anos, tanto do sexo masculino quanto feminino.

O que a vacina já prevenia antes

Até então, o produto tinha aval regulatório apenas para outros tipos de câncer. A lista incluía colo do útero, vulva, vagina e ânus. Também valia para lesões precursoras, verrugas genitais e infecções persistentes causadas pelo vírus.

O que diz a Anvisa

Em nota técnica, o órgão regulador explicou os critérios da decisão. “A nova indicação se baseia na prevenção da infecção persistente pelos tipos de HPV oncogênicos”, afirmou. A Anvisa acrescentou que esses vírus são os principais causadores dos cânceres agora contemplados. Há ainda a demonstração de resposta imunológica robusta contra esses tipos virais.

Por que vacinar antes da primeira relação

Especialistas reforçam um ponto crucial. A aplicação do imunizante surte maior efeito antes do início da vida sexual. Isso porque o vírus tem transmissão essencialmente por via sexual.

Cenário epidemiológico e relevância da medida

A decisão chega em momento oportuno. Dados recentes apontam aumento na incidência de tumores de orofaringe ligados ao HPV. Esse crescimento ocorre principalmente entre homens jovens. O vírus, historicamente associado ao câncer cervical, hoje responde por parcela significativa de neoplasias em outras regiões do corpo.

E o SUS?

O Sistema Único de Saúde (SUS) já disponibiliza a vacina contra HPV. O público-alvo atual são meninos e meninas de 9 a 14 anos. Grupos específicos, como pessoas vivendo com HIV e transplantados, também têm acesso.

Próximos passos

Especialistas apontam o próximo desafio. É preciso avaliar a ampliação da cobertura vacinal para a nova faixa etária. A decisão, porém, dependerá do Ministério da Saúde. Caberá à pasta uma análise de custo-efetividade.