Defensoria do RS cobra R$ 50 milhões da Cobasi após morte de 40 animais em shopping de Porto Alegre

O órgão público, com base em relatos de testemunhas, destacou que era possível retirar os animais nos dias seguintes à inundação. Empresa se manifestou por meio de nota

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18:00 - 31/05/2024

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(Foto: Reprodução/Polícia Civil)

A Defensoria Pública do Estado apresentou um pedido de indenização por danos ambientais, à saúde pública e psicológicos à coletividade, após a morte de 38 animais no subsolo do Shopping Praia de Belas no dia 3 deste mês. Segundo a Polícia Civil, que realizou uma vistoria na pet shop na semana passada, os animais — incluindo aves, pássaros e roedores — morreram afogados enquanto os computadores foram guardados no mezanino para evitar danos.

O gerente da loja afirmou ter deixado água e comida para os animais, mas não retornou ao shopping, informou a Defensoria. “A responsável também confirmou que equipamentos eletrônicos foram colocados em carrinhos de compras no mezanino, que ficou intacto, enquanto os animais ficaram no andar debaixo”, afirmou o órgão.

A Defensoria Pública, com base em relatos de testemunhas, destacou que era possível retirar os animais nos dias seguintes à inundação. No entanto, a Cobasi não tomou nenhuma medida para tentar salvar os animais. “Fica evidente que a Cobasi teve cinco dias para tirar os animais de forma segura. Porém, mesmo observando o nível da água subir, nada fez. Nenhuma testemunha menciona ter visto algum funcionário da loja ir até o local conferir os animais, sequer para ver se tinham comida e água,” declarou João Otávio Carmona Paz, defensor público do RS.

Ativistas evitam mais mortes, diz Defensoria

A ação de ativistas evitou mais mortes em outra loja da Cobasi, segundo a Defensoria. Em outro estabelecimento da mesma rede, os funcionários fecharam a loja sob a alegação de ter deixado comida e água para cinco dias, mas não retornaram ao local por uma semana. “O resultado só não foi o mesmo da unidade que fica no shopping porque ativistas entraram na loja e retiraram os animais. Mesmo assim, quatro já haviam falecido,” informou a Defensoria.

A Defensoria Pública está buscando responsabilização e indenização por parte da Cobasi, argumentando que a negligência da empresa resultou em danos significativos não apenas aos animais, mas também à saúde pública e ao bem-estar coletivo.

Em uma nota oficial, o Shopping Praia de Belas afirmou que comunicou a Cobasi sobre o risco de “alagamento severo” na loja. O shopping também declarou ter oferecido toda a assistência necessária para o acesso ao local, tentando prevenir a tragédia.

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul instaurou um inquérito para investigar as circunstâncias que levaram à morte de 38 animais, entre aves, pássaros e roedores, no subsolo do shopping. “Tentamos identificar se houve responsabilidade de alguém, se alguém decidiu e como foi essa decisão de retirada ou não dos animais,” afirmou a delegada Samieh Saleh, responsável pela investigação.

Os suspeitos podem ser responsabilizados por crime de maus-tratos, com pena de até 1 ano de prisão. A delegada Saleh explicou que, se os animais envolvidos fossem cachorros ou gatos, a pena poderia chegar a 5 anos de reclusão.

A investigação visa esclarecer os motivos pelos quais os animais não foram resgatados, mesmo após o aviso de risco de alagamento severo e a oferta de assistência do shopping. A Defensoria Pública do Estado já solicitou indenização por danos ambientais, à saúde pública e psicológicos à coletividade, alegando negligência da Cobasi em tomar medidas para salvar os animais.

Enquanto o inquérito prossegue, o caso levanta questões sobre a responsabilidade e a ética no cuidado de animais em estabelecimentos comerciais, especialmente em situações de emergência.

Nota da Cobasi na íntegra:

“A Cobasi esclarece que sua loja no shopping Praia de Belas precisou ser evacuada de forma emergencial na sexta-feira, dia 3 de maio, seguindo as orientações das autoridades.

Como não havia qualquer indicação da magnitude do desastre que acometeu o estado do Rio Grande do Sul, os colaboradores da loja tomaram todas as providências para garantir que as aves, pequenos roedores e peixes estivessem em altura segura e alimentados para sua sobrevivência até o retorno dos colaboradores que, com base nas informações oficiais disponíveis naquele momento, deveria ocorrer num espaço breve de tempo.

Tudo foi colocado acima de um metro de altura no mesmo salão. Infelizmente a entrada de água na noite do sábado (04 de maio) e na madrugada do domingo (05 de maio), chegou aos 3,5 metros de altura, atingindo o teto da loja, ultrapassando em muito a barreira de sacos de areia colocada na porta da loja, pelos colaboradores do shopping.

Cabe destacar que apenas as 4 CPUs dos checkouts da loja foram levadas ao andar superior, por se encontrarem a 20 centímetros do chão, local que ficava junto aos pés das operadoras de caixa, porém todos os outros equipamentos relacionados aos checkouts permaneceram em suas posições originais (acima de 1 metro de altura) tais como: monitores, teclados, impressoras de cupom fiscal, teclados pin pad (para cartões de crédito/débito) e leitores de código de barras dos produtos. Outros tantos computadores e equipamentos também presentes no mesmo salão inundado, não foram removidos de suas posições originais, e foram danificados com a água e lama que invadiu a loja.

Assim entendeu a gerência da loja que não correria o risco de inundação pois a mesma se encontrava estabilizada até às 18:30h do sábado dia 4 de maio, pelo relato de funcionário do shopping. Todo este relato acima será confirmado e provado nos autos.

Infelizmente, a proporção do evento climático na região foi tão devastadora que provocou uma inundação sem precedentes no shopping e levou à perda de vida de pequenos roedores, aves e peixes que estavam na loja.

Importante ressaltar que não havia cães ou gatos no estabelecimento. A inundação levou também à destruição de quase a totalidade dos principais equipamentos e do estoque de produtos da loja.

A Cobasi lamenta profundamente o ocorrido. A empresa ressalta ainda que está colaborando com as investigações realizadas pelas autoridades e que irá comprovar todas as informações relatadas acima nos autos”.

*Via Uol

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