
No Viva com Saúde de hoje vamos falar sobre como movimentos da infância podem reduzir dor lombar crônica.
Movimentos aprendidos na infância, como rolar, engatinhar e agachar, podem ser úteis na idade adulta para aliviar a dor lombar crônica. É o que aponta um estudo da Universidade do Sul da Austrália. A dor lombar é uma das queixas mais comuns em todo o mundo e está entre os principais problemas de saúde pública globais. Persistente, incapacitante e muitas vezes difícil de tratar, ela impacta diretamente a qualidade de vida, a produtividade e o bem-estar emocional de milhões de pessoas.
Cerca de 80% da população vai apresentar pelo menos um episódio significativo de dor lombar ao longo da vida. Em números absolutos, estamos falando de algo em torno de 500 milhões de pessoas afetadas mundialmente. A pesquisa australiana avaliou os benefícios do programa Motum, desenvolvido por fisioterapeutas e baseado no reaprendizado progressivo de padrões fundamentais de movimento.
O trabalho foi realizado ao longo de 12 semanas e envolveu 32 adultos com dor lombar crônica não específica, condição que responde por até 90% dos casos. Ao final do período, a aceitação do programa foi considerada alta pelos participantes.
Em comparação com o grupo controle, os indivíduos que receberam a intervenção tiveram um efeito considerado grande na redução do medo do movimento, além de melhora significativa no equilíbrio. Também foram observados impactos positivos sobre a dor, a funcionalidade e a autoconfiança para realizar atividades do dia a dia.
Para os pesquisadores, os achados do estudo têm aplicação direta na prática clínica. O medo de se movimentar é um dos principais fatores que atrapalham o tratamento da dor lombar crônica. Quando o paciente sente dor, passa a evitar o movimento, perde força muscular, deixa de confiar no próprio corpo e, com isso, acaba sentindo ainda mais dor. Ao aprender que é possível se mover com segurança, mesmo sentindo algum desconforto, o paciente deixa de ser refém da dor. A redução desse medo melhora a confiança, a autonomia e a função motora, com impacto direto na qualidade de vida e menor risco de cronificação da doença.
Embora a dor lombar possa atingir qualquer pessoa, em qualquer fase da vida, há maior incidência entre adultos jovens e de meia-idade, especialmente aqueles que realizam esforço físico repetitivo ou passam longos períodos sentados. Tabagismo, sobrepeso e estresse crônico também são fatores importantes. “Além disso, a dor lombar é uma das principais causas de afastamento do trabalho em pessoas com menos de 60 anos”, relata o ortopedista.