
No Viva com Saúde de hoje vamos falar sobre a redução gradual de antidepressivos.
Os antidepressivos são parte do tratamento de quadros moderados e graves de depressão e ansiedade. Esses medicamentos são responsáveis por ajudar o cérebro a reestabelecer seu equilíbrio físico-químico, mas há também uma série de preocupações relacionadas ao uso prolongado, especialmente pelas incertezas sobre as formas mais seguras de tirar a medicação sem voltar a encarar a doença.
Em busca de encontrar fatores comuns que pudessem orientar sobre as melhores práticas para fazer esse “desmame”, pesquisadores da França e da Itália avaliaram estratégias adotadas nos mais recentes estudos sobre o tema. Eles descobriram que interrupções pensadas para o longo prazo, acompanhadas de terapia, são tão eficazes para manter pacientes fora dos quadros depressivos quanto a administração contínua de remédios.
A pesquisa é fruto da revisão sistemática de 76 estudos, que envolveram a participação de aproximadamente 17 mil pessoas. O trabalhou comparou três estratégias: a redução gradual do tratamento até a suspensão durante menos de quatro semanas (retirada abrupta), ao longo de um período maior do que esse (retirada gradual) e a redução da dose permanente, sem perspectiva de retirada. Em todos os casos, avaliou-se a incidência de retorno de quadros depressivos de acordo com cada modelo.
A conclusão principal é que na depressão em remissão, a redução lenta associada ao suporte psicológico estruturado teve resultados comparáveis a continuar o antidepressivo para prevenir recaídas e foi superior à retirada abrupta. Para transtornos de ansiedade, os resultados apontam na mesma direção, mas os autores ressaltam que há menos evidências e, por isso, a generalização deve ser mais cuidadosa.
As três formas de tratamento consideradas eficazes no estudo para evitar o retorno da doença foram: a continuidade do tratamento associada ou não ao suporte de apoio psicológico, a redução gradual da dose com apoio psicológico e a continuação com dose reduzida. Em contrapartida, a diminuição lenta da dose sem o suporte psicológico levou a resultados inferiores, assim como a interrupção abrupta seguida ou não de acompanhamento.
O estudo indica que a retirada, mesmo em pessoas já sem sinal de depressão, deve ser feita com cautela. Muitas vezes, o medo da recaída faz com que pacientes discordem da ideia de deixar a medicação. Em outros casos, o paciente se sente tão restaurado em seu bem-estar que interrompe o uso por conta própria e sem planejamento, comprometendo os benefícios alcançados.
Ambos os casos deixam claro como é importante que paciente e psiquiatra tenham uma relação de confiança estabelecida para planejar a desprescrição.