
No Viva com Saúde de hoje vamos falar sobre jejum intermitente.
Em 2013, um jornalista britânico e um médico apresentaram um protocolo alimentar pouco conhecido ao grande público. A ideia era simples: dois dias por semana, comer quase nada. No resto do tempo, comer normalmente. Os autores afirmavam que “a dieta do jejum” poderia ajudar a eliminar gordura, reverter o diabetes tipo 2 e prevenir doenças relacionadas à idade que afetam a mente e o corpo.
Esse jejum intermitente simples não foi o primeiro do tipo a se popularizar, mas se tornou uma sensação internacional. Hoje existem dezenas de variações, e são muito populares. Todos os jejuns intermitentes alternam períodos em que é permitido comer com períodos em que não se deve comer nada ou muito pouco.
Os defensores dessas dietas as elogiam por serem mais fáceis de seguir do que dietas convencionais e por oferecerem maiores benefícios para perda de peso e metabolismo. Mas os pesquisadores têm ficado cada vez mais desiludidos com elas. À medida que mais estudos se acumulam, as lacunas entre as alegações feitas sobre o jejum intermitente e as evidências que as sustentam têm aumentado.
A alegação mais comum sobre o jejum intermitente é que ele é uma forma melhor de perder peso do que outras dietas. Experimentos iniciais com camundongos e ratos sugeriam que algo interessante estava acontecendo além da simples restrição calórica. Os animais perdiam peso e permaneciam mais saudáveis do que camundongos que comiam normalmente, independentemente de quantas calorias consumissem entre os jejuns.
Mas em humanos, a ideia de que os jejuns intermitentes oferecem benefícios especiais para perda de peso “realmente não foi confirmada pelos dados”, disse James Betts, professor de fisiologia metabólica da Universidade de Bath, no Reino Unido. Alguns estudos concluem que o jejum intermitente não é mais eficaz para perda de peso do que outras dietas, enquanto outros relatam um pequeno benefício adicional. Mas muitos destes últimos são baseados em estudos pequenos e de baixa qualidade.
Vários estudos até sugerem que algumas formas de jejum podem ser ruins para o metabolismo. Em um artigo de 2021 comparando o jejum em dias alternados com a restrição calórica normal, as pessoas em ambos os grupos perderam quantidades equivalentes de peso, mas aquelas que jejuaram perderam muito mais massa muscular, o que afeta negativamente o metabolismo.