DEMISSÃO

Pasin, secretários e critérios que a razão desconhece

GERSON LENHARD -     
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A política não é como um coração, mas numa coisa se assemelha: tem razões que a própria razão parece desconhecer. Ou uma lógica cartesiana em que as coisas até parecem, mas podem não ser o que insinuam.

Ao contrário de certos Ministros do STF que creem ser deles o poder de, além de interpretar a lei, modificá-la de acordo com as circunstâncias, reconheço que quem foi eleito e tem o direito de anunciar ou demitir um secretário é o prefeito. Mas cabe ao jornalista interpretar e criticar ou elogiar escolhas, afinal o cargo é público e assim as ações são de interesse comum à população, eleitores o não de Pasin.

O atual mandato, o segundo de Pasin, completou um ano em janeiro. De lá para cá vimos algumas coisas acontecerem. Outras ficaram no campo do planejamento e outras ainda no pantanoso terreno do “empurrar com a barriga”. Diz que muito disto foi por conta da crise que asfixiou os municípios. Será?

Ainda no ano passado, sobretudo no primeiro semestre, chamou a atenção o silêncio impressionante do prefeito quanto à construção de seu Governo. Como, afinal, iria montar uma equipe atendendo à sede de tantos partidos que o apoiaram na recondução ao cargo? O silêncio e o isolamento inicial do Prefeito em seu gabinete não era casual. Era estratégia para fugir à pressão pelo assédio aos cargos em jogo. Até hoje, por exemplo a Secretaria de Agricultura não tem um titular. Ora se não há necessidade de um Secretário qual será a relevância da Secretaria? A resposta parece óbvia. Ou teria aberto mão de indicar Secretário para poder criar a Secretaria de Segurança e lá sim colocar um Secretário, isto quando muita gente pergunta: a que veio a Secretaria?

Uma frase dita com convicção por Pasin me chamou a atenção. Ele foi taxativo ao afirmar que não poderia errar ao formar sua equipe. Hoje penso que se não nomeia um Secretário de Agricultura e o cargo de coordenador do Procon está vago há mais de 40 dias, talvez seja por falta de convicção de ter alguém a altura para a função. Ou porque não considere imprescindíveis certos auxiliares

No início desta semana o prefeito demitiu o ex-vereador e secretário de Ação Social, Marcio Pilotti, sem que tenha vindo a público dizer o porquê. Me parece que seria, sim, do interesse público saber as razões. Ele já salvou auxiliares em situação dramática simplesmente porque considerava tal companheiro essencial ao Governo. Agora fala-se em reforma de secretariado. Aliás, falam os outros, Pasin nada diz sobre isto e nem acredito que ela aconteça.

Alguns secretários de Bento Gonçalves se afirmaram. Eu diria que apesar de todos os problemas que o setor apresenta é o caso da Secretaria de Saúde, onde Diogo Siqueira  se esforça e combate de frente, expondo-se inclusive, às carências múltiplas, da falta de médicos e remédios, ao intricado jogo de forças com os entes estadual e da União.

Na Cultura, Evandro Soares exibe extenso portfólio de ações e virou quase um mascate em busca de recursos junto à iniciativa privada para conquistar apoio aos projetos que necessitam de aporte financeiro. Casualmente ou não, ambos os citados são do mesmo partido do Pilotti.

Mas há outras afirmações: Lucatelli na Mobilidade Urbana é uma delas. E isto depois de todo o sururu causado com a tentativa de encaixá-lo no Ipurb – que mancada hein?! E há outros ainda, mas ficarei por aqui, que elogio demais cheira a bajulação.

Ainda sobre os critérios para nomeação, sabe-se que há Secretarias preenchidas atendendo demandas de partidos. Outras seriam da cota pessoal do Prefeito. Mas tudo acaba ficando numa nuvem de incertezas. Não é ciência exata. Então continuemos a torcer para que o prefeito acerte mais do que erre. Afinal, torcer pelo bom mandato é torcer pelo bem de Bento e dos munícipes.

 

 

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