Paciente reclama de condições da ambulância sem acompanhamento de profissionais

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Acompanhante disse que paciente sentia dor (Fotos: Dariano Moraes)

Pacientes de Bento Gonçalves reclamam que estão sendo levados para consultas em Porto Alegre e outras cidades em ambulâncias mas, sem acompanhamento de algum técnico em enfermagem ou enfermeiro.

No dia 7 de junho, quinta-feira, a idosa Jáde Tomazzini, de 74 anos, que possui prótese num dos olhos e enxerga 30% no outro foi levada para Porto Alegre para uma consulta e vivenciou momentos de insegurança e dor.

No relato da acompanhante da paciente Oliva Gheno Capovilla, quando estavam indo para Porto Alegre, ainda de madrugada, no trecho entre Garibaldi e Carlos Barbosa, a porta da ambulância abriu colocando em risco a segurança dos pacientes. Durante toda a viagem o veículo batia e balançava muito.

“É a ambulância que atende uma unidade 24 horas. A ambulância é que nem uma carroça, classifica ela. A cadeira onde eu estava se mexia muito. Durante a viagem fui obrigada a me segurar no que encontrei.”

No retorno para Bento Gonçalves a paciente caiu para um lado e disse que não estava bem, relata Oliva, obrigando a acompanhante deitá-la na maca com o carro em movimento.

“Eu perguntei: Vó o que a senhora tem? Não estou me sentindo bem, respondeu a paciente. Daí eu levantei tirei a coberta da cama, tirei o cinto, deitei ela e botei o cinto. Só que o motorista não veio ajudar e não havia técnico em enfermagem na ambulância”.

Nervosa, a senhora idosa com deficiência visual sentiu aumento da pressão ocular e dores nas costas.

“inclusive afetou também meu problema visual e começou a fisgar meu olho esquerdo que quase eu não enxergo, né. Então tudo é uma maneira assim de afetar mais o problema da gente, relata.”

Veículos da saúde rodam 70.000 km/mês.

O Secretário Adjunto de Saúde de Bento Gonçalves Marlon Pamper Mayer justifica que o município possui uma demanda de oito mil pacientes/ano somente para Porto Alegre e Caxias e nem sempre há veículos suficientes para atender a esta quantidade. A frota da secretaria de saúde roda 65.000 a 70.000 km/mês.

“A nossa Van já estava com todos os lugares ocupados. Então, para não deixar esta paciente sem transporte nós colocamos a disposição mais um veículo, no caso uma ambulância. Não há recomendação de que este transporte fosse feito especificamente por uma ambulância, condição esta, que o técnico em enfermagem ou o enfermeiro estariam acompanhando.”

Questionado sobre as condições do veículo que abriu a porta durante o trajeto, ele disse que será averiguado.

“Vamos verificar o por quê isso aconteceu. Se houve um descuido, se houve um problema técnico no veículo e, certamente, seja qual for a causa isso será averiguado, isso será resolvido”.

A manutenção dos veículos é de responsabilidade do município em oficinas credenciadas. Algumas vezes a demora esbarra na legislação que prevê os trâmites normais de uma licitação, afirmou o secretário.

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