A caxiense Jéssica Peil de Oliveira, 27 anos, que relatou ser agredida pelo ex-companheiro e fez a denúncia policial e em redes sociais, criou uma campanha intitulada “Grita Mulher”. O intuito da ação é fazer com que mulheres vítimas de violência doméstica denunciem os agressores. Mesmo com medidas protetivas e a Lei Maria da Penha, só em Caxias do Sul oito mulheres foram agredidas diariamente em 2018. O caso envolvendo Jéssica aconteceu entre os dias 14 e 15 de abril deste ano e está sob investigação da Polícia Civil. O suspeito  registrou ocorrência, dois dias depois, dizendo que também havia sido agredido por ela.
A vítima concedeu entrevista à reportagem do Portal Leouve. Confira na íntegra.
Como era a relação de vocês? Ele aparentava ser agressivo ou se transformou em uma pessoa agressiva?
“A nossa relação era boa, ele tinha pressa de tudo. De morar junto, de ter filhos, de viajar. Uma pessoa controladora, ciumento, possessiva, mas não achei que se tornaria agressivo a esse ponto. Ele demonstrou outros sinais, aconteceram algumas vezes com puxões de cabelo e empurrões. Achei que por nossa diferença de idade era insegurança dele por eu ser mais nova.”
Porque você acha que ele teve essa atitude? Essa reação de partir para a agressão? Não aceitou o fim de um relacionamento?
Ele sempre foi um homem atencioso, mas como eu disse, controlador e possessivo. Acredito que ele não me via mais como esposa, mas como posse. Quando começamos a morar juntos, construímos planos, sonhos e íamos aumentar a família, viagens marcadas, etc. Acredito que terminar o relacionamento tenha sido desesperador por ver tudo que construímos ir por água abaixo.”
Você imaginava que algum dia na vida poderia passar por este tipo de situação?
Não. Quando existe amor, comprometimento, doação num relacionamento, nunca imaginamos que as coisas irão para este caminho. Nunca imaginei passar por isso, está sempre fora da nossa realidade. Ouvimos e lemos casos e noticiários iguais a este que aconteceu comigo, mas nunca imaginamos que a pessoa que dorme ao nosso lado será capaz de algo tão brutal, cruel e terrível.”
Uma das tuas reações foi idealizar uma campanha chamada "Grita Mulher". Qual o intuito dessa ação?
“Depois que resolvi expor a situação em redes sociais para que eu tivesse segurança, apareceram outras vítimas do mesmo agressor, que nunca falaram ou denunciaram. Então me veio o Grita Mulher. Mas infelizmente vivemos em uma sociedade que essas mesmas mulheres têm medo de morrer ou que tenham suas vidas arruinadas por ele, tudo porque o agressor tem dinheiro, sobrenome, é conceituado, uma profissão respeitável e vários contatos.”
Procurastes a Polícia. Há uma medida protetiva? Como anda a investigação policial?
“A Polícia foi até a casa aonde morávamos no dia da agressão, agiu de acordo com a lei, me dando todo suporte. Primeiro me levaram fazer ocorrência, depois primeiros socorros. Sim, existe a medida protetiva. Estou tendo apoio e segurança dos órgãos públicos. A investigação está em andamento e aguardo que a Justiça seja feita. Nunca mais serei a mesma, depois de ter passado por isso, essa dor e essas marcas nunca mais se apagarão.”

A violência

Há vários tipos de violência contra a mulher. A física é entendida como qualquer conduta que ofenda a integridade ou saúde corporal. A psicológica consiste em atos que resultem em dano emocional, que prejudique que tome ações ou gerem em humilhação, manipulação e limitação do direito de ir e vir.
A violência sexual é a obrigação de ter relações sem consentimento, à força ou por meio de intimidação e ameaça. Qualquer ato que cause constrangimento à mulher, também é encaixado nesta tipificação criminal. Há, ainda, a violência moral. Situações que configurem em calúnia, injúria e difamação.
Pelo menos 67,39% dos agressores de mulheres atendidas em 2018 no Centro de Referência da Mulher (CRM), vinculado à Secretaria de Segurança Pública e Proteção Social (SMSPPS), não têm antecedentes criminais.

Como denunciar?

Em Caxias do Sul, as mulheres vítimas de violência doméstica podem procurar auxílio e denunciar agressões por meio dos seguintes telefones: Coordenadoria da Mulher (54) 3218-6026, Centro de Referência da Mulher (54) 3218-6112 e Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (54) 3220-9280. Casos emergenciais devem ser informados à Brigada Militar (BM) pelo 190.