Menos uns pra incomodar

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A gente ainda não sabe bem aonde vai dar este negócio, mas as 11 mortes de criminosos, inapelavelmente abatidos em duas perseguições policiais em dois dias seguidos aqui no Rio Grande do Sul sinalizam novos tempos. Tá armado? em fuga? é bandido? mira na cabecinha. É o que as autoridades apregoam. Governador eleito no Rio, presidente

Bolsonaro e seu gestual inconfundível e o povo que os elegeu certamente gosta desta nova “abordagem”. A polícia entendeu o recado e manda bala. Como ser contra?

A história poderá nos corrigir, mas em tempos de violência extrema e de direitos amplos, este recrudescimento no comportamento moral e ético é amplamente aceito pela população. Como dizer ao sujeito que é obrigado a fazer cordão humano num assalto a banco que a polícia deve prender e não atirar?

Não temos presídios então parece justo mirar e executar. A conta é simples: a cada assaltante morto a sociedade 1) se livra de um peso oneroso; 2) vidas inocentes estão sendo resguardadas porque aquele não fará mais mal a ninguém.

O efeito colateral parece que estava no porta-malas de um dos carros em fuga. Morreu o subgerente do banco. Deixa esposa, filhos, pais, amigos e colegas enlutados. Bandido tá nem aí pra esta conta humana.

A sociedade pressupõe bases mínimas de convívio entre os iguais. São bases morais, éticas e religiosas. Eis que alguém que não estudou, que se sente à margem da sociedade, resolve entrar no jogo da sobrevivência pegando em armas. Compra armas pesadas e ilegais para praticar mais ilegalidades, na verdade crimes. Pratica assaltos e atira em inocentes. É lícito, pois, que a força da lei se sobreponha. Olho por olho…

Infelizmente chegamos neste ponto. Vale é a lei da selva. E vale dizer que a sociedade está desesperançada daquilo que se apregoa como o ética e moralmente certo. Quando isto acontece é porque eles venceram: os bandidos estão impondo a sua lei e nós os caras da sociedade civilizada estamos nos vendo obrigados a jogar o jogo deles: bala contra bala. Uma pena que seja assim.

Agora a culpa não é só dos bandidos. Eles são fruto de uma política torpe em que cada deputado, cada governador ou Ministro do SFT não está nem aí para a sociedade. Eles se preocupam menos com o sistema de ensino do que com o seu apadrinhado e quanto este poderá lhe render em propinas; eles se preocupam em formular leis que lhes garantam reajustes salariais longe de qualquer realidade da grande maioria dos brasileiros; eles querem leis que os perpetuem no poder, por isso a reforma politica nunca acontece; por isso a máquina está inchada e só se cria novos impostos para se auto sustentar. O Brasil é um país corrompido e só o que nos resta é vibrar a cada bandido abatido.

Viva a nova civilização.

4 COMMENTS

  1. Disseminação de ódio, LEOUVE. Triste! Violência banalizada pelo estado e ainda apoiada.
    Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à VIDA… CF/88.
    “Ah mas e a vida do Gerente…”
    Não somos bandidos. Não é guerra.

  2. Discordo totalmente , bandido bom é bandido morto , cada soldado deveria ganhar uma medalha e um premio por bandido abatido , não é porque não se tem escola , pai ou se é pobre que tem desculpa para ser marginal , as leis são fracas , não seguram bandido na cadeia , voçe acha que é quem que leva celular para bandido dentro dos presídios , quando um amigo ou familiar seu não for ele a vitima voçe pode pensar assim , mas quando tiver alguem próximo como vitima vai pensar diferente , BANDIDO BOM É BANDIDO ABATIDO , este não vai mais prejudicar ninguem e nem vai dar despesa para os cidadãos !

  3. é morre um pouquinho de bandido para salvar um montão de pessoa do bem ..antes salvava um pouquinho de bandido e os bandido matavam um montão de pessoas de bem ..

  4. Gerson Lenhard, infelizmente, esta é a “linguagem” que esta escória entende muito bem!!! Discordo de vc Pablo. Veja o Art. 53 da FC de 88:
    Art. 53. Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 35, de 2001)
    § 1º Os Deputados e Senadores, desde a expedição do diploma, serão submetidos a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 35, de 2001)
    § 2º Desde a expedição do diploma, os membros do Congresso Nacional não poderão ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável. Nesse caso, os autos serão remetidos dentro de vinte e quatro horas à Casa respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus membros, resolva sobre a prisão. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 35, de 2001)
    § 3º Recebida a denúncia contra o Senador ou Deputado, por crime ocorrido após a diplomação, o Supremo Tribunal Federal dará ciência à Casa respectiva, que, por iniciativa de partido político nela representado e pelo voto da maioria de seus membros, poderá, até a decisão final, sustar o andamento da ação. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 35, de 2001)
    § 4º O pedido de sustação será apreciado pela Casa respectiva no prazo improrrogável de quarenta e cinco dias do seu recebimento pela Mesa Diretora. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 35, de 2001)
    § 5º A sustação do processo suspende a prescrição, enquanto durar o mandato. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 35, de 2001)
    § 6º Os Deputados e Senadores não serão obrigados a testemunhar sobre informações recebidas ou prestadas em razão do exercício do mandato, nem sobre as pessoas que lhes confiaram ou deles receberam informações. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 35, de 2001)
    § 7º A incorporação às Forças Armadas de Deputados e Senadores, embora militares e ainda que em tempo de guerra, dependerá de prévia licença da Casa respectiva. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 35, de 2001)
    § 8º As imunidades de Deputados ou Senadores subsistirão durante o estado de sítio, só podendo ser suspensas mediante o voto de dois terços dos membros da Casa respectiva, nos casos de atos praticados fora do recinto do Congresso Nacional, que sejam incompatíveis com a execução da medida. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 35, de 2001). Não te parece algo criado para marcianos?!! Este é só um exemplo. Há outros que instituíram e consagram a impunidade, a regalia, a discriminação, cotas raciais, auxílio moradia para membros do judiciário, prisão especial, etc… O Caput do Art. 5º da cf/88 é máscara. Onde está a igualdade?
    Este comentário exprimi minha opinião pessoal e não tem qualquer relação pessoal, seja com quem for.

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