Em meio a acusações, Câmara de Bento deve abrir CPI para apurar perfis falsos

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O ex-presidente Scussel e o atual Pasqualotto se manifestaram na sessão desta segunda-feira

O vereador e ex-presidente da Câmara de Vereadores Moisés Scussel (PSDB), que também já foi líder de governo no primeiro mandato de Guilherme Pasin, ao se pronunciar na sessão ordinária desta segunda-feira inquiriu os colegas: “Estamos aqui há uma hora e quarenta minutos e até agora o que resolvemos em favor da população”?

A indagação de Scussel tinha razão de ser. A maior parte da reunião foi uma sucessão de acusações e o que já estava claro há bastante tempo hoje ficou ainda mais evidente: a rixa entre o vereador Moacir Camerini (PDT) e Anderson Zanella (PSD) já deixou de ser só por motivação política, virou algo pessoal. Zanella usou a tribuna para denunciar que havia sido vítima de uma falsa acusação de racismo por parte do colega de Casa, conforme a “vítima do racismo” revelou e se retratou, retirando o processo que movia contra Zanella.

Também havia expectativa, já que Camerini recorreu à Justiça e obteve tutela antecipada quanto ao posicionamento da Comissão de ética que indicara a suspensão do mandato do vereador oposicionista por 30 dias. A Justiça reconheceu fundamento no pleito de Camerini, entendendo que a comissão de ética estaria mal formatada e composta por vereadores que não poderiam compô-la. Coube ao presidente da Casa, vereador Rafael Pasqualotto (PP) explicar que a liminar fora concedida com base em uma resolução, a 256, que sequer está vigente. Mas, ao mesmo tempo, reconheceu que a própria resolução 261, que instituiu a atual comissão de ética também tem erros em sua redação. Uma nova resolução deverá ser formulada e publicada com nbase no que prevê a Constituição Federal em seu artigo 58.

A Câmara, por parte de seus advogados, ainda tentou ontem cassar a liminar, mas não obteve êxito. Camerini foi à tribuna e pediu que o deixassem trabalhar. Alega que a perseguição que vem sofrendo se intensificou desde que disse ser pré-candidato às eleições municipais para a Prefeitura e que recorreu à polícia civil para averiguar pretensa invasão em suas redes sociais.

Já o presidente Pasqualotto lembrou que todas as denúncias e dados sobre suas contas foram vazadas por seus ex-funcionários e não por invasão.

CPI das fake News

Ainda ontem dois funcionários (Cargos em Confiança) foram repostos à bancada de Camerini que havia demitido outros CCs há pouco mais de duas semanas. Também ontem, pouco depois das 15 horas foi protocolada, com 14 vereadores subscrevendo, a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito. A mesma visa investigar a utilização da estrutura funcional da Câmara para a criação e manutenção de usuários falsos (fakes) em redes sociais para a propagação de notícias e comentários ilegais acerca de fatos relevantes para o município.

Camerini acusou o golpe por saber que há farta documentação alcançada por seus ex-funcionários com impressões de páginas utilizadas para tais fins.

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