O dólar subiu a bolsa caiu. Não dá pra culpar o Lula, nem a Dilma nem o Gilmar Mendes. Mas que droga, porque é que o Brasil não engrena afinal. Quero, mais do que encontrar culpados, encontrar saídas. Para tanto não basta ficar jogando a culpa nos outros, ainda mais quando estes foram democraticamente eleitos, como agora
Diriam os experts que falta a confiança do mercado num governo mais assertivo. Pois eu diria que muitos brasileiros não são este ser incerto e poderoso denominado como “mercado”, mas também gostariam de poder confiar mais no Governo.
Pois vejamos: o que esperamos de um governo, que seja forte mas não contrarie nossos interesses; que seja democrático mas não permissivo; que retire o estado de áreas onde não é necessário e que interfira apenas o suficiente para que o crescimento e a justiça social se aproximem o quanto for possível.
A verdade é que esta fórmula não é simples e passa por um Congresso que joga com interesses diametralmente opostos, tudo em nome da representatividade. Estão lá indicados por grupos de interesses diversos, por camadas sociais e interesses muito diferentes. Há os ruralistas, a bancada da bala, os evangélicos, os liberais, os conservadores, sim, e os comunistas.
Gostaria que pelo menos alguns ministros não falassem bobagens e, é certo, alguns só não falarão bobagens se não abrirem a boca. Sinal de que há mais de uma tartaruga no poste e cabe a quem as colocou, retirá-las. A não ser que, como de fato alguns tem propugnado, as bobagens estão aí para, como diria Paulo Francis, distrair a Patuleia.
Para controlar Velez Rodrigues ou, até para preparar sua substituição, o presidente Bolsonaro chamou o tenente-brigadeiro Ricardo Machado Vieira. É mais um militar num time de milicos que até, prove-se o contrário,  tem como maiores credenciais a moral ilibada e a disciplina rígida dos quarteis.
Desconfio firmemente de que na conversa mantida com Trump, semanas atrás, o Capitão-Presidente deve ter sondado a possível cedência do recruta Zero e do Sargento Tainha para os lugares da Ministra Damares e do livre pensador embaixador Araújo, tudo pra dar ar de seriedade aos dois ministérios.
E por falar em seriedade: o 31 de março é data sim para ser lembrada, jamais comemorada. Tem muita gente boa e pai de família sóbrio entrando na onda fantasiosa do Mito-presidente. É gente que não leu Brasil Nunca Mais do Bispo D. Paulo Evaristo Arns ou que não conhece a história de Marcelo Rubens Paiva e seu pai morto e calado ou da colunista Zuzu Angel e de sue filho arrastado por um jeep e desovadonas profundezas do Atlântico, como tantos outros.
Lembrar 64 e desejar que não se repita é lícito. Comemorar e negar o golpe é crime de lesa-humanidade.
Como disse meu amigo De Vargas, há tanto com o que se preocupar olhando à frente. 64 já foi decupado. Já tivemos anistia para ambos os lados e muita gente recebendo pensão por ter sua vida interrompida em julgamentos pra lá de duvidosos. Não é hora de mexer nesta ferida. O Brasil quer crescer, necessita de empregos e pra isto precisa contar com um governo atuante e sério como não vemos já faz muito tempo.