Boechat era diferente e único

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Uma pessoa que tinha altos valores humanos, que entrava na tua casa como se fosse parente que mora no mesmo quintal, que passava credibilidade e humor em doses harmônicas. Dificilmente alguém conseguiria concentrar num texto ou numa fala a dimensão do que signifique a morte súbita do jornalista Ricardo Boechat. Aliás, os colegas de Band, os colegas de profissão de todo o Brasil externaram de forma comovida, humana e criteriosa o profissional Boechat. De forma precisa e grandiosa o amigo.

Alguns lembraram que desde a morte de Airton Senna não se via tal comoção. Todas as redes de rádio e TV deram o destaque merecido. Os taxistas do Rio e São Paulo fizeram as suas homenagens porque eram muito respeitados pelo jornalista que tinha esta dimensão da notícia. Era preciso ouvir mais a rua, mais o cidadão e menos a autoridade e o político. Divulgava seu telefone no ar e atendia as pessoas não de forma populista, mas sincera. Era um cavalheiro que adorava jogar uma pelada na praia.

Boechat batia em Chico e Francisco. De uma maneira contundente, porém nunca com raiva. Por isso era esta referência não apenas para os colegas, mas para os cidadãos a quem se dirigia. Como bem disse William Bonner, a opinião de Boechat vai fazer falta neste momento que o Brasil vive.

Pai de família, marido amoroso, colega e pessoa generosa. O microfone estava para ele como a bola estava para Pelé. E vamos lembrar que o cara ganhou três prêmios Esso como repórter de jornal. Só depois foi para a TV e bem depois para o rádio.

O parde Fábio de Mello lembrou que o homem era uma mente lúcida que fará muita falta. Os colegas de trabalho custaram a acreditar no que estavam noticiando e as homenagens foram muito sensíveis. Como alguém já falou: era um jornalista fora da bolha. Ele era e ainda será uma referência. Mas antes de ser um bom jornalista e formador de opinião e aqui reside seu maior mérito, era um ser humano como poucos. Está aí dito por quem o conhecia de perto.

Pra quem ainda dirá que Boechat tinha seus momentos de mau humor, que xingava a equipe ou detratava quem o ofendesse, sim, é verdade. O cara era um ser humano e era exigente como chefe. Mas assim como cobrava, ensinava, assim como xingava, elogiava e tinha um humor acima da média, Devia ser a forma de equilibrar as pressões e a agenda lotada de tarefas diárias.

E pra quem ainda pensa que o cara era vendido, ou defendia interesses de A ou B ou ainda, que era comunista, bom, depois de ver o depoimento de sua mãe, dona Mercedes, vai entender bem: Boechat era de boa cepa, não tinha como ser diferente do que era.

Vai ser difícil sair de casa sem ouvi-lo todas as manhãs. Mas, me perdoem se é o que se ouviu mais de cem vezes nos últimos dias: “toca o barco”.

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