Nos ares do Brasil, Avianca desce, Coca-cola sobe

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Acabo de regressar de férias e tirando um perrengue final de uma intoxicação alimentar que veio infiltrada em deliciosos bolinhos de bacalhau, foi tudo muito bem.

Mas, não vou aborrecê-los sobre as delícias do Nordeste, o mar verde e quente e todas as coisas boas que viagens e férias nos trazem. Isso a gente deixou lá atrás nas redações do primeiro dia de aula nas séries iniciais.

O diferente desta viagem foi ver o aborrecimento, prejuízo material e emocional causado pelos incautos que compraram passagens pela Avianca. A aérea entrou em recuperação judicial em dezembro, eu comprei meu pacote de férias em novembro – ainda bem, em outra aérea. Ou seja, escapei de férias frustradas por detalhe.

Anarquia nas contas da Avianca à parte, o que causa estranheza mesmo é a apatia com que a ANAC está encarando o problema. São milhares de pessoas afetadas todos os dias e o que se vê são pobres e mal pagos funcionários da empresa que já nem sabem se terão emprego amanhã, tendo que aguentar no peito e na paciência a fúria e desespero dos passageiros na hora destes serem realocados em outros voos. Eu imagino as agências reguladoras como fundamentais em defesa do consumidor, mas nestas horas a gente vê que elas não estão preparadas para intervir com força em defesa do cidadão. O desenho da derrocada da Avianca está claro há meses. Algo precisava ter sido feito antes.

Bem, se disse que por detalhe não comprei passagem da pré-falimentar Avianca, isso não quer dizer que fiquei feliz com a aérea escolhida. Fazia algum tempo que não viajava e por isso estranhei algumas coisas: latinha de coca-cola a dez reais no voo é caso de crime contra a economia popular; voo de três horas e nenhum filme é disponibilizado aos passageiros que já estão entalados em bancos cada vez mais apertados; e a guerra das bagagens: as malas de mão aceitas no interior do avião estão maiores e aí falta espaço no bagageiro acima dos bancos. A mala que foge ao padrão paga 10 reais por quilo, outro assalto; na hora de desembarcar, colocam 220 pessoas para descer por apenas uma portinhola. E é aí dá até pra entender que algumas pessoas queiram sair correndo atropelando quem estiver à frente. Ora, se tem mais portas porque não utilizá-las? Daqui a pouco vão cobrar pra liberar passageiros pela porta de trás.

Os preços praticados nos cafés e restaurantes dos aeroportos também são absurdamente caros. Sempre há a opção de sair de casa com o lanche feito. Mas no caso de uma conexão de cinco horas, não há como fugir. Ainda bem que tem o McDonald`s, com preço tabelado (parece coisa de comunista).

A conclusão a que podemos chegar e que viajar de avião está voltando a ser coisa para rico, só que sem o menor resquício do luxo dos tempos de Howard Huges que em meados do século passado revolucionou a aviação internacional.

Quem teve o prazer de voar com a Varig ou a Lufthansa, sabe que a hora da refeição era algo especial. Hoje, latinha de coca a dez reais. Sinal de que as aéreas estão muito mal mesmo. A culpa será só delas? Certamente está faltando regulação.

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