OPINIÃO

A terça-feira gorda de Segovia

ROGéRIO COSTA ARANTES -     
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Mesmo com todo o barulho do carnaval país afora, o silêncio ensurdecedor do temeroso presidente e de seu fiel escudeiro Torquato da Justiça diante da chiadeira sobre o episódio das indecorosas confissões do chefe da polícia em defesa do patrão escancara o samba enredo campeão do carnaval dos botocudos.

A gritaria dos pau-mandados dos corruptos diante das evidências criminosas mostra que o bloco dos sujos do governo dos canalhas está definitivamente nas ruas, nos gabinetes e nos palácios pra deixar tudo como está, estancar a tal sangria e garantir que os amigos podem tudo sim senhor.

Mas enquanto a terça-feira gorda vem fechar o carnaval abençoando o último exagero antes do adeus às carnes e do arrependimento da quaresma, a nação estarrecida segue à espera da harmonia do samba do crioulo doido que embala a nossa república das bananas soar seus últimos acordes e fazer cair as máscaras da hipocrisia.

Porque depois do carnaval, o diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segovia, vai ter que cantar o enredo da mala com 500 mil reais que não provam nada e do arquivamento das investigações do Caso Rodrimar no STF ao ministro Luís Roberto Barroso, relator do inquérito contra o temeroso.

E se a quarta-feira de cinzas marca definitivamente o início da quaresma dos cristãos, onde o jejum e os abusos deixados de lado devem purificar e desarmar os espíritos pelo menos até a páscoa, o sacrifício de Segovia será vestir a fantasia da isenção e garantir, a oito dias do final do inquérito contra o presidente, o tempo e a autonomia necessários pra polícia avaliar a alegoria do decreto dos portos, a evolução da propina e a comissão de frente do Rocha Loures pra não atravessar o samba do combate à corrupção e ganhar nota dez na apoteose.

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