A saúde na fila do SUS

ROGéRIO COSTA ARANTES -     
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Os gargalos dos atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) não são privilégio particular no país. Ao contrário, dez entre dez cidades brasileiras sofrem com a incapacidade do SUS de oferecer o atendimento necessário e adequado à população.

E essa realidade é ainda mais agressiva hoje porque a crise faz com que mais pessoas busquem pelo atendimento público, e a mesma crise faz com que os investimentos em saúde pública sejam cada vez mais escassos.

Aqui na Serra Gaúcha, ali na capital do estado ou lá em Brasília ou em Quixeramobim, a realidade é a mesma.

Por isso, não é novidade que as duas maiores cidades da serra sofram com a reprodução dessa realidade.

Por motivos às vezes diferentes, em outras vezes semelhantes, Caxias do Sul e Bento Gonçalves já não conseguem dar conta de oferecer simples consultas nas unidades básicas, exames, consultas com especialistas, procedimentos clínicos, cirurgias eletivas e atendimentos de urgência e emergência.

E quem sofre com isso é a população.

Hoje, tanto em Bento quanto em Caxias, o atendimento passou a ser precário e é quase tirar na loteria sair satisfeito de um atendimento pelo SUS.

Em Bento, essa realidade é agravada pela falta de atendimento nas UBSs, pela diminuição do corpo de médicos, pela redução dos horários de atendimento. Em Caxias, tudo isso ainda é mais grave pela greve dos médicos, pela ausência do atendimento na UPA Zona Norte, pelo número de médicos exonerados.

E, nesse sentido, a superlotação do sistema de saúde, que gera angústia na população hoje, preocupa todo mundo, ainda mais por conta da proximidade do inverno, e projeta um cenário dramático nos próximos meses.

Por isso, a gente não pode mais admitir que essa crise se prolongue ainda mais por falta de diálogo e de inciativa em resolver os problemas por quem tem o dever de fazer isso: o Poder Público.

Porque não dá mais pra admitir que a ideia da saúde coloque a economia do dinheiro público acima das necessidades da população.

Porque não dá mais pra admitir que uma greve de médicos dure quase 50 dias sem uma solução à vista.

Porque não dá mais pra admitir que seja uma lógica de mercado que defina as políticas públicas de saúde.

Porque o mercado pode até ficar doente, mas quem morre é a nossa gente.

Mas, infelizmente, parece que essa é a única receita que a gente vê por aqui.

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