PROSTITUIÇÃO

ONG denuncia exploração de travestis que atuam nas madrugadas em Caxias

MAURO TEIXEIRA -     
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Travestis estariam sendo coagidos por esquema que tenta controlar prostituição no centro de Caxias (Fotos: Mauro Teixeira)

A Polícia Civil está investigando um suposto esquema de exploração dos serviços sexuais de travestis que atuam na noite caxiense. De acordo com a ONG Blitz, há cerca de quatro meses, dois travestis estariam usando de violência para extorquir outros travestis. A denúncia já foi feita também por meio de um boletim de ocorrência no plantão da Polícia Civil.

Conforme as ocorrências policiais, as suspeitas, identificadas apenas como Mirella e Isabella, formaram uma espécie de “dupla dinâmica” na hora de abordar as vítimas em vários pontos no centro da cidade.

“Elas chegam juntas, ameaçando com revólver ou faca, e exigem o pagamento de R$ 150 por semana”, revela a presidente da ONG, que prefere não se identificar.

As ameaças também são feitas pela internet, por meio de um aplicativo de mensagens. Por ali, as agressoras obrigam as travestis a fornecer endereço e telefone atualizados, formando uma espécie de cadastro.

Ameaças e cobranças estão sendo feitas também pelo Whatsapp (Foto: reprodução)

Os pontos preferidos das criminosas seriam as esquinas das ruas Dal Canale com Garibaldi e em toda a extensão da avenida Júlio de Castilhos. Segundo uma denúncia feita na Comissão de Direitos Humanos de Caxias, menores também estariam sendo aliciados pela dupla para trabalharem durante as madrugadas. Essa situação já teria sido encaminhada para a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente.

Além da dupla Isabella e Mirella, a ONG também faz referências a uma terceira envolvida no caso, que usa o codinome de Baiana. Ela seria uma espécie de gerente do esquema, além de ser a responsável pelo recrutamento de novos travestis para trabalharem nas ruas de Caxias.

A presidente da ONG confirmou também que alguns acontecimentos, como assaltos e agressões durante as madrugadas, atribuídos as travestis que apenas fazem programas, são ações isoladas dessa disputa que tenta controlar os pontos de prostituição. “Elas praticamente já controlam tudo e ameaçam todos que passam pelo caminho delas. E se a polícia não fizer nada o poder delas vai aumentar porque já estão começando a traficar drogas”, conta.

O delegado Vitor Carnaúba, da 1ª Delegacia de Polícia, responsável pela investigação do caso, diz que há vários registros de ocorrências dos dois lados e que todos já foram encaminhados à Justiça. “Já foram feitas várias análises do caso e os responsáveis identificados. Até agora tudo não passou de algumas agressões e também ameaças, que também já é de conhecimento do judiciário”, finaliza.

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