OPINIÃO

O diálogo entre o bandido confesso e o presidente conivente

ROGéRIO COSTA ARANTES
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Vamos combinar uma coisa: é impossível achar que o diálogo nada republicano entre o Presidente da República com o açougueiro investigado por corrupção seja pouca coisa ou coisa corriqueira, como querem nos fazer acreditar agora os poderosos de plantão no Planalto Central da Nação.

Ora, se o simples fato de receber um empresário denunciado na residência oficial pra uma conversa no mínimo comprometedora já seria totalmente imperdoável, o conteúdo então é de fazer corar o mais calejado dos corruptos.

O diálogo entre o bandido confesso e o presidente conivente é o retrato acabado da sujeira que envolve as relações de poder nessa nossa república de bananas.

Porque enquanto o criminoso discorre sobre seus crimes, o presidente não esboça a mínima reação. Porque Temer não se espantou, não denunciou, não se indignou, não mandou prender.

Mas é ainda pior, porque enquanto o homem das carnes fala abertamente sobre como compra juízes, promotores e parlamentares ou como pede o aval do presidente pra pressionar o ministro da fazenda, o homem forte da Nação vai temperando a conversa afiada com seus comentários nada enriquecedores.

Ótimo”, concorda ao saber dos dois juízes que estão sendo segurados na conta do açougueiro.

Tem que manter isso, diz sobre a ajudinha de 500 mil reais por semana pra calar a boca de crocodilo do Eduardo Cunha.

A verdade é que o material do matadouro JBS divulgado ontem à noite é ainda mais explosivo porque os donos do mega açougue estavam deliberadamente produzindo provas com o aval da Polícia Federal, tudo devidamente documentado, e, exatamente por isso, o resultado da desossa é tão devastador.

No caso do Temer, o papo entre compadres mostra que o presidente estava literalmente em casa. Acostumado a receber gente denunciada no Jaburu pra negociar propinas milionárias ou caixa dois de campanhas, como já disse mais de um delator, Temer passou informações privilegiadas sobre a queda dos juros e indicou um amigo comum pra tratar de todos os assuntos com o magnata das carnes, mesmo que seja uma mala cheia de dinheiro sujo.

E olha que esse é só o primeiro prato do banquete do Joesley.

Mas eu confesso que perdi o apetite com o país depois de ouvir essas gravações. Mais que isso, decidi que, de agora em diante, vou mesmo é virar vegetariano.

 

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