CONCILIAÇÃO

Grupos rivais Fatah e Hamas anunciam acordo para fortalecer Estado Palestino

ROGéRIO COSTA ARANTES -     
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O grupo nacionalista Fatah e o movimento islâmico Hamas anunciaram nesta quinta-feira, dia 12, a assinatura de um acordo de reconciliação, com o objetivo de fortalecer um governo unificado no Estado Palestino. Os grupos tinham rompido as relações em 2006, após o Hamas ganhar as eleições legislativas. Desde então, o Hamas controla a Faixa de Gaza, enquanto o Fatah controla a Cisjordânia.

O anúncio foi feito no Cairo, capital do Egito, pelo líder do Hamas. O acordo é provisório e os grupos precisam ainda negociar pontos problemáticos, como o desarmamento do Hamas, que conta hoje com 25 mil homens organizados em brigadas.

O Fatah é grupo político que governo a Autoridade Nacional Palestina, chefiada por Mahmoud Abbas. Ele é sucessor de Yasser Arafat. Os representantes do Fatah e do Hamas passaram os três últimos dias conversando na sede do Serviços de Inteligência do Egito. O acordo tem como intenção possibilitar novas eleições gerais.

O Fatah e o Hamas têm uma longa história de rivalidade e conflitos e as tensões e os conflitos armados entre os partidários dos dois campos nos últimos tempos são apenas o auge de quase 20 anos de desentendimentos.

Os problemas atuais têm sua origem no combate mais amplo que opôs, durante quase meio século, uma corrente nacionalista pan-árabe, liderada por Jamal Abdel Nasser, a um movimento radical, dominado inicialmente pelos Irmãos Muçulmanos Egípcios.

Nos territórios palestinos, a batalha começou no início dos anos 1980, nos campus das universidades, entre membros dos Irmãos Muçulmanos, que iriam criar no fim de 1987 o Hamas, e os nacionalistas do Fatah, fundado em 1959 pelo líder histórico dos palestinos, Yasser Arafat.

A primeira intifada (1987-1993) lançou os dois campos numa primeira luta pelo poder e em confrontações diretas, o Hamas contestando a supremacia da Organização para a Libertação da Palestina (OLP, que agrupa todos os movimentos nacionalistas) na luta pela libertação nacional.

O jovem Hamas, criado pelo xeque Ahmed Yassin, que pregava a destruição de Israel, realizou nesta época seus primeiros ataques contra Israel, recusando o combate ao lado de outros movimentos e, sobretudo, a ajuda do Fatah.

A verdadeira ruptura ocorreu em 1988, quando a OLP reconheceu o princípio de dois Estados, um israelense e outro palestino, vivendo lado a lado. A divisão entre os grupos tornou-se ainda mais evidente em 1993, quando da assinatura dos acordos de Oslo sobre a autonomia palestina, criticados pelo Hamas.

O Hamas considera que a OLP e Yasser Arafat traíram a causa palestina ao assinarem esses acordos, e viram uma tentativa deliberada da OLP de impedir sua chegada ao poder, que ocorreria 13 anos mais tarde com a vitória nas eleições legislativas e a formação de seu primeiro governo.

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