DELAÇÃO DA JBS

Governador Sartori e outros políticos gaúchos são citados por receber caixa 2

ROGéRIO COSTA ARANTES
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Dono da JBS, Joesley Batista identificou repasses a políticos gaúchos (Foto: reprodução)

Pelo menos cinco políticos gaúchos estão entre os citados pelos diretores da JBS nos depoimentos dados no processo de delação premiada. O governador do estado, José Ivo Sartori e os deputados Alceu Moreira (PMDB), Jerônimo Goergen (PP) e Onyx Lorenzoni (DEM) são citados por Joesley Batista e Ricardo Saud por terem recebido dinheiro para a campanha de 2014 por meio de caixa 2. O ex-deputado e ex-tesoureiro do PT, Paulo Ferreira, também é citado por receber vantagens indevidas da empresa.

Executivo da J&F identificou pagamentos de propina a Sartori a pedido de Aécio

Conforme os delatores, os deputados teriam recebido os pagamentos do presidente da Associação Brasileira de Exportadores de Carne Bovina, Antônio Jorge Camardelli. Moreira e Onyx teriam recebido R$ 200 mil em dinheiro vivo, enquanto Goergen teria recebido R$ 100 mil. Ferreira também teria recebido R$ 200 mil, mas o pagamento teria sido feito através da Gráfica e Editora Comunicação Impressa.

Onyx Lorenzoni admitiu ter recebido dinheiro de caixa 2 da JBS, mas calcula que tenha sido R$ 100 mil. “Vamos assumir esta responsabilidade”, afirmou. Alceu Moreira negou ter recebido qualquer valor de forma irregular, enquanto Goergen admitiu ter recebido dinheiro da JBS, mas afirmou que a doação foi legal. Segundo ele, o PP depositou mais de R$ 400 mil repassados pela empresa.

Doações de campanha

Sartori foi citado com uma doação de R$ 1,5 milhão em propina (Foto: arquivo)

O grupo J&F aparece também em outras doações para campanhas no Rio Grande do Sul, principalmente para os candidatos a governador nas eleições de 2014, de acordo com as prestações de contas apresentadas à Justiça.

A campanha do governador José Ivo Sartori foi a que mais recebeu doações da empresa: R$ 2,5 milhões da JBS e outros R$ 199,99 mil da BRF. Deste total, pelo menos R$ 1,5 milhão pode ter sido originado em dinheiro de propina. O executivo da J&F e delator Ricardo Saud disse à Procuradoria-Geral da República (PGR) que o repasse foi feito a pedido do senador Aécio Neves, candidato à presidência, e foi pago como “doação oficial dissimulada” durante o segundo turno das eleições.

O governador rebateu as acusações em nota oficial. “Nunca participei desse mar de lama”, afirmou em uma rede social. O valor pago a campanha de Sartori – a única a receber diretamente o dinheiro – chama a atenção porque é maior que a soma da contribuição a todos os outros candidatos ao governo gaúcho, que receberam as doações através dos diretórios nacionais dos partidos ou como repasses das candidaturas nacionais.

O presidente da OAB/RS, Ricardo Breier, afirmou que a entidade buscará informações adicionais sobre o depoimento com o Supremo Tribunal Federal (STF).

Íntegra da nota de Sartori:

A doação da JBS para minha campanha foi declarada e com recibo, dentro da legalidade. Repudio qualquer tentativa de me envolver nesse caso. Nunca participei desse mar de lama. E o povo gaúcho pode ter certeza de que não haverá nada que prove em contrário.

Minha honra é meu maior patrimônio. Faz parte da minha criação fazer a coisa certa. Não aceito a generalização. Não me misturem com essa gente. Pratico e sempre pratiquei a política da seriedade, da integridade e da transparência.

A coordenação da campanha já se pronunciou e está à disposição para prestar qualquer esclarecimento. Espero que haja responsabilidade na abordagem do assunto, com investigação e punição rigorosa para os culpados.

José Ivo Sartori

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