OPINIÃO

A cara do pai

ROGéRIO COSTA ARANTES -     
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Foi num dia 12 de janeiro como hoje que a minha vida começou a mudar pra sempre. E eu posso dizer sem medo de errar que ela mudou pra melhor, pra muito melhor. Naquele dia 12, eu comecei a redescobrir a vida, e percebi de uma vez por todas que não existe um dia igual ao outro, e que a vida não foi feita com manual de instruções.

É que naquele dia 12 como hoje, eu estreei a maior experiência da minha vida: ser pai. E mais do que isso, ser pai de uma menina. Ali eu comecei a viver a incrível experiência de ser o primeiro amor da vida da minha filha e descobrir o mais puro e doce dos amores com ela. Um amor que não se mede nesses 12 anos que a minha filhinha completa hoje confirmando a cada dia que as “meninas são mesmo dos pais”.

Não que seja sempre assim. Chega um dia, e depois outro, que a gente aprende da noite pro dia que as coisas mudam e que, na adolescência, não basta ser pai: tem que saber que tem coisas que o pai não pode. O problema é que é preciso saber quando não pode mais e até que ponto não pode.

Porque o esquisito é que até ontem podia. Mas tá, tudo bem, isso já não vem ao caso. Anteontem eu podia até levar na porta da escola e dar um beijo gostoso na bochecha, veja você.

A verdade é que hoje eu posso dizer que aprendo humildemente a cada dia a ser pai de uma menina, e me sinto orgulhoso em perceber que ela faz de mim uma referência de amizade, de segurança e de proteção, num grau de intimidade e completude que só é possível entre um pai e sua menininha.

Hoje, minha filha completa 12 anos e já não é mais uma menininha, e a gente já não brinca mais com as bonecas, com os bichinhos de pelúcia, e ela já não me pede mais pra desenhar toda a família das sereias ou inventar bichinhos de massinha de modelar.

Mas eu ainda lembro de tudo, as musiquinhas que eu mesmo inventava e cantava pra passar todas as dores dela ou pra levar pra passear no carrinho, ou quando eu a levei pela mão pra conhecer o mar, ou ainda quando ela ganhou o mundo de bicicleta ou quando vimos pela primeira vez um jogo do nosso time do coração e torcemos juntos como fazemos até hoje.

E a cada dia que passa eu aprendo a dar mais importância ao tanto que ensinei e aprendi nessa relação e também ao quanto ela ainda vai me ensinar.

Porque ser pai de menina é uma viagem sensível e colorida em um mundo de força e delicadeza, mas também é uma corrida veloz contra essa bobagem de dividir o mundo em coisas de menino e coisas de menina, e mostrar que, com amor, respeito, honestidade, generosidade e gratidão, ela pode tudo, e que basta querer e se esforçar pra conseguir.

E eu me esforço a cada dia pra entender melhor tudo isso, pra estar sempre do lado dela, atento ao que interessa, e pra poder cumprir tudo o que eu prometo, e sempre dizer que eu a amo e que eu sempre estarei ao lado dela.

Porque, vamos combinar, eu sei que os filhos a gente cria pro mundo, conheço o lance de dar asas e coisa e tal. Mas é que só quando chega a hora de voar, o primeiro voo, depois o mais alto, e aí o mais longe e o mais longo, é que a gente aprende que as asas, a vida, o quintal, os quereres crescem. Porque tudo cresce, porque todos crescem. Ela está crescendo, e eu também.

Mas o certo é que, até hoje e para sempre, agradeço por ser pai de menina, agradeço por ser pai da minha menina. E ainda me emociono ouvindo ela me chamar de pai, e ainda fico feliz da vida quando alguém diz que ela é a cara do pai.

E eu, todo orgulhoso da minha menina, respondo em pensamento: e não é que é mesmo?

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